As negociações de paz entre os EUA e o Irã tiveram início neste sábado (11/4), em Islamabad, marcando uma nova tentativa de diálogo após mais de 40 dias de conflito no Oriente Médio. Delegações dos Estados Unidos e do país iraniano participam de encontros separados com o primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, que atua como mediador das tratativas.
Pelo lado americano, a comitiva é liderada pelo vice-presidente J.D. Vance, acompanhado do enviado especial Steve Witkoff e de Jared Kushner. Já a delegação iraniana conta com o presidente do Parlamento, Mohammad Baqer Qalibaf, e o chanceler Abbas Araqchi.
Apesar da presença simultânea das delegações na capital paquistanesa, ainda não há confirmação de reuniões diretas entre os representantes dos dois países. As negociações seguem, por ora, em formato indireto, com intermediação do governo do Paquistão.
Irã estabelece condições para diálogo
As tratativas ocorrem em um contexto de forte desconfiança mútua. Antes mesmo do início formal das conversas, o Irã estabeleceu pré-condições para avançar no diálogo. Entre elas, estão o desbloqueio de ativos iranianos no exterior e um cessar-fogo no Líbano. As demandas foram apresentadas ao governo paquistanês, que deve repassá-las à delegação americana.
Autoridades dos Estados Unidos e de Israel negam que a ofensiva militar no Líbano esteja vinculada a qualquer acordo em discussão. Ainda assim, representantes iranianos afirmam que o cumprimento dessas condições é essencial para a continuidade das negociações.
O ambiente em Islamabad é de forte esquema de segurança. Ruas foram bloqueadas e a população está orientada a permanecer em casa, em uma operação que lembra medidas de toque de recolher.
A presença de autoridades estrangeiras também mobilizou o alto escalão do governo paquistanês, incluindo o chanceler Ishaq Dar, o chefe do Exército Asim Munir e o ministro do Interior Mohsin Naqvi.
Outros países apoiam encontro
Além dos encontros bilaterais mediados por Sharif, as negociações contam com apoio indireto de outros países, como Egito, Arábia Saudita, China e Catar, que enviaram representantes à capital paquistanesa para contribuir com a mediação.
O início das negociações de paz entre os EUA e o Irã representa o contato de mais alto nível entre os dois países desde a Revolução Islâmica de 1979.
Caso avancem para encontros diretos, este poderá ser o primeiro diálogo presencial desde 2015, quando foi firmado o acordo nuclear durante o governo de Barack Obama, com aval do líder supremo iraniano, Ali Khamenei.
Ainda sem cronograma definido para as próximas etapas, as negociações começam sob pressão internacional e com expectativas moderadas.
O próprio Shehbaz Sharif classificou o momento como decisivo, indicando que o avanço ou fracasso das tratativas pode influenciar diretamente a estabilidade regional e o equilíbrio geopolítico em uma área estratégica para o mercado global de energia.
