Estados Unidos e Irã encerraram, sem acordo, as negociações diretas realizadas no Paquistão após cerca de 21 horas de conversas. O vice-presidente dos EUA, JD Vance, afirmou que a delegação americana deixou as negociações após o Irã não aceitar condições consideradas essenciais, como o compromisso de não desenvolver arma nuclear. “Deixamos muito claro quais são nossas linhas vermelhas (…) e eles optaram por não aceitar nossos termos”, disse.
Do lado iraniano, autoridades classificaram as exigências como excessivas e indicaram que novas rodadas de diálogo ainda podem ocorrer. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmail Baghaei, afirmou que divergências em pontos-chave impediram um acordo imediato. “Era natural não esperar um acordo em uma única sessão”, disse.
As negociações envolveram temas como o programa nuclear iraniano, o controle do Estreito de Ormuz e possíveis medidas para aliviar sanções econômicas. Segundo autoridades, os dois lados avançaram em algumas áreas, mas mantiveram diferenças em pontos considerados centrais.
O Estreito de Ormuz permanece como foco de tensão. A via marítima é responsável por cerca de 20% do transporte global de petróleo e gás natural liquefeito. Durante o conflito, o Irã interrompeu o tráfego na região, o que ampliou a instabilidade no mercado internacional de energia.
A ausência de acordo aumenta as dúvidas sobre a manutenção do cessar-fogo de duas semanas firmado recentemente. Analistas avaliam que o impasse pode pressionar os preços do petróleo e do gás nos próximos dias.
Movimentações no estreito já indicam cautela no setor. Dois superpetroleiros chegaram a tentar atravessar a rota no domingo, mas recuaram após o fim das negociações.
O governo do Paquistão, que sediou as conversas, classificou o diálogo como construtivo e defendeu a continuidade das negociações. Autoridades americanas também indicaram que a proposta apresentada segue aberta.
“Saímos daqui com uma proposta (…) nossa oferta final e melhor. Veremos se os iranianos a aceitam”, disse Vance.
