As forças militares dos Estados Unidos realizaram “ataques de autodefesa” no sul do Irã nesta terça-feira (26, noite de segunda-feira no Brasil), segundo informou o Comando Central americano (CentCom). A ofensiva acontece em meio às negociações entre os dois países para um acordo definitivo de paz no Oriente Médio.
De acordo com o CentCom, os alvos incluíram locais de lançamento de mísseis e embarcações iranianas que estariam instalando minas subaquáticas na região do Estreito de Ormuz.
Segundo os militares americanos, as ações ocorreram “de forma limitada durante o cessar-fogo em curso” e tinham como objetivo “proteger tropas dos EUA das ameaças representadas pelas forças iranianas”.
Mais cedo, autoridades iranianas haviam relatado explosões na cidade portuária de Bandar Abbas, no litoral sul do país, onde está localizada uma das principais bases militar das forças aérea e naval do Irã. Apesar disso, a agência semioficial Fars afirmou que a situação na região era de normalidade durante a madrugada desta terça.
Segundo a emissora americana Fox News, duas embarcações da Guarda Revolucionária iraniana foram atingidas e destruídas durante os ataques. A emissora também informou que uma posição de defesa antiaérea em Bandar Abbas teria sido alvo das forças americanas após supostamente mirar caças dos EUA.
Ataque acontece durante cessar-fogo entre EUA e Irã
Estados Unidos e Irã mantêm um cessar-fogo desde 8 de abril, enquanto negociadores tentam construir um acordo definitivo para encerrar o conflito iniciado no fim de fevereiro.
Apesar da interrupção dos bombardeios diretos, o clima segue tenso na região. O Irã mantém restrições à navegação no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas do petróleo mundial, enquanto os EUA seguem com bloqueios aos portos iranianos.
Nos últimos dias, os dois países chegaram a sinalizar avanços diplomáticos. No sábado (23), o presidente Donald Trump afirmou acreditar que um acordo estaria próximo. Horas depois, porém, voltou a endurecer o tom e ameaçou o Irã.
“Vou explodi-los em mil infernos”, disse Trump ao comentar a possibilidade de fracasso nas negociações.
As incertezas sobre um possível acordo impactaram diretamente o mercado internacional de energia. Após uma queda inicial nos preços do petróleo motivada pelo otimismo diplomático, declarações contraditórias de autoridades americanas e iranianas voltaram a elevar a tensão.
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, chegou a afirmar que um entendimento poderia estar próximo, mas o Ministério das Relações Exteriores do Irã respondeu dizendo que “ninguém pode sustentar isso neste momento”.
Israel intensifica ataques no Líbano
Em paralelo às negociações entre Washington e Teerã, o conflito envolvendo Israel e o Hezbollah segue pressionando o cenário regional.
Nesta segunda-feira (25), o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou que o país irá “intensificar” as ações militares no Líbano.
Na sequência, as Forças de Defesa de Israel anunciaram novos ataques contra alvos do Hezbollah em diferentes regiões do território libanês.
Israel ocupa militarmente parte do sul do Líbano desde o início da guerra envolvendo o Irã e segue emitindo alertas de evacuação para civis da região.
Embora Israel e Líbano estejam oficialmente em cessar-fogo desde abril, a trégua vem sendo marcada por trocas constantes de ataques entre as forças israelenses e o grupo extremista Hezbollah, apoiado pelo Irã.
As ações no Líbano também fazem parte das negociações entre Washington e Teerã. O governo iraniano exige que os confrontos na região sejam interrompidos como parte de um eventual acordo definitivo de paz.
Trump também sugeriu nesta segunda que um possível acordo com o Irã poderia depender da adesão em massa aos Acordos de Abraão, tratados diplomáticos que normalizam relações entre Israel e países árabes aliados dos Estados Unidosse pronunciado oficialmente sobre os ataques americanos.