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Colchão mole ou firme? Médico especialista em coluna explica o que protege — e o que machuca — a sua lombar durante o sono

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(foto: pixabay)

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Um terço da vida humana é passado deitado. Esse dado simples já deveria ser suficiente para colocar o colchão e o travesseiro entre as compras mais estratégicas da sua casa — mas, na prática, a maioria das pessoas só pensa no assunto quando já acorda com dor.

A resposta direta: o colchão ideal para quem tem dor nas costas é de firmeza intermediária (médio-firme), capaz de equilibrar suporte e conforto sem deixar a coluna desalinhar durante a noite. Mas essa é só uma parte da equação.

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Daniel Oliveira, médico ortopedista especialista em coluna vertebral e sócio do Núcleo de Ortopedia e Traumatologia (NOT), em Belo Horizonte, explica com precisão o que a ciência já sabe — e o que muita gente ainda erra — na hora de escolher onde e como dormir.

Colchão mole ou firme: qual é o ideal para quem tem dor nas costas?

A escolha não é simples como parece. “Colchões muito macios permitem afundamento excessivo do corpo, favorecendo desalinhamentos”, alerta o ortopedista Daniel Oliveira. “Já colchões muito rígidos podem aumentar pontos de pressão, especialmente em ombros e quadris.”

O ponto de equilíbrio, segundo ele, está na firmeza intermediária. Evidências clínicas apontam que colchões médio-firmes tendem a oferecer melhores resultados por sustentar a coluna em posição neutra sem criar pressão excessiva nos pontos de apoio.

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A regra, porém, tem variações importantes. Pacientes com hérnia de disco, por exemplo, tendem a se beneficiar mais de superfícies que garantam essa posição neutra de forma consistente. “A escolha deve ser individualizada, levando em conta peso corporal, curvaturas da coluna e diagnóstico específico”, reforça Oliveira.

Dormir de lado, de barriga para cima ou para baixo: qual posição faz menos mal à coluna?

Das três posições, uma é claramente a mais prejudicial — e é também uma das mais comuns: dormir de barriga para baixo.

“Essa posição exige rotação cervical sustentada e pode aumentar a sobrecarga na coluna lombar, favorecendo dores cervicais e lombares”, explica o especialista.

A posição lateral, de lado, é a mais recomendada — especialmente quando combinada com um travesseiro entre os joelhos. “Esse suporte reduz a rotação da pelve e ajuda no alinhamento da coluna lombar”, diz Oliveira.

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Dormir de barriga para cima também é uma boa opção, desde que um apoio sob os joelhos seja utilizado para diminuir a sobrecarga lombar. O princípio é sempre o mesmo: manter as curvaturas fisiológicas da coluna preservadas durante toda a noite.

Como escolher o travesseiro certo para não acordar com dor no pescoço?

Travesseiro alto ou baixo depende, antes de tudo, de como você dorme. “A altura deve ser compatível com a posição de dormir e com a anatomia individual, especialmente a largura dos ombros”, orienta Daniel Oliveira.

Quem dorme de lado geralmente precisa de travesseiros mais altos, para preencher o espaço entre o ombro e a cabeça. Já quem dorme de barriga para cima se beneficia de opções de altura média a baixa.

No material, a espuma viscoelástica — conhecida como “nasa foam” ou “memory foam” — costuma se destacar. “Ela proporciona melhor adaptação às curvaturas do corpo e distribuição de pressão”, afirma o ortopedista.

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O objetivo central, em qualquer caso, é evitar que o pescoço passe horas em flexão ou extensão exagerada. Essa posição forçada durante o sono está diretamente associada à dor cervical pela manhã.

Trocar o colchão resolve dor crônica na coluna?

Nem sempre — e entender essa limitação é essencial antes de investir. “A dor vertebral tem origem multifatorial, envolvendo fatores musculares, degenerativos, posturais e até psicossociais”, pondera Oliveira. “A troca do colchão pode contribuir para a melhora dos sintomas, mas não deve ser vista como solução isolada.”

Dito isso, há um ponto a partir do qual a troca deixa de ser um luxo e passa a ser necessidade: colchões com mais de 8 a 10 anos de uso tendem a perder suas propriedades de suporte. Deformações visíveis, perda de firmeza e piora da dor ao acordar são sinais claros de que chegou a hora.

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“Essa medida deve fazer parte de uma abordagem mais ampla, que inclua reabilitação, fortalecimento muscular e orientação médica”, recomenda o especialista.

Exercícios e hábitos simples para proteger a coluna antes de dormir

Pequenos ajustes na rotina noturna fazem diferença real. O ortopedista Daniel Oliveira elenca os principais:

  • Alongamentos leves para musculatura lombar, glútea e posterior de coxa reduzem tensões acumuladas ao longo do dia e facilitam o relaxamento muscular.
  • Exercícios suaves de mobilidade da coluna podem ajudar, desde que realizados sem dor.
  • Evitar telas antes de dormir: o uso prolongado de celular e computador induz posturas inadequadas, com flexão excessiva do pescoço.
  • Horários regulares de sono contribuem para a qualidade do descanso e a saúde musculoesqueletal como um todo.
  • Levantar da cama com cuidado: evitar movimentos bruscos ao sair da cama é uma medida simples e frequentemente ignorada. A forma correta é virar de lado, apoiar com os braços e subir o tronco de forma gradual.

Perguntas frequentes sobre colchão, travesseiro e coluna

Qual colchão é melhor para hérnia de disco? Colchões de firmeza intermediária que mantenham a coluna em posição neutra são os mais recomendados para pacientes com hérnia de disco, segundo o ortopedista Daniel Oliveira.

Travesseiro de espuma ou mola: qual é melhor para o pescoço? Travesseiros de espuma viscoelástica (memory foam) costumam proporcionar melhor adaptação às curvaturas do corpo e distribuição de pressão, sendo os mais indicados para saúde cervical.

Com que frequência devo trocar o colchão? Colchões com mais de 8 a 10 anos tendem a perder suas propriedades de suporte. Deformações visíveis e piora da dor ao acordar são sinais de que a troca é necessária.

Posso dormir de barriga para baixo? Não é recomendado. Essa posição exige rotação cervical sustentada e aumenta a sobrecarga na coluna lombar, favorecendo dores no pescoço e na lombar.

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Carol Ferraris

Jornalista, pós graduada em produção de jornalismo digital pela PUC Minas. Produtora multimídia de entretenimento na Rádio 98, com passagens pelo Estado de Minas e TV Alterosa.

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