O acordo de parceria entre Mercosul e União Europeia pode abrir novas oportunidades para a economia de Minas Gerais, especialmente no agronegócio e na indústria. É o que aponta uma análise elaborada pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Sede-MG), que também destaca desafios importantes para produtores e empresas locais.
Exportações mineiras podem ganhar força com redução de tarifas
De acordo com o levantamento, o tratado prevê a redução ou eliminação de tarifas em mais de 90% do comércio entre os blocos. Na prática, isso pode ampliar o acesso de produtos mineiros ao mercado europeu, principalmente itens do agronegócio, como carnes, café, frutas e grãos.
Produtos como café torrado e solúvel, mel, abacate, limão e uva devem ter tarifas zeradas ao longo dos próximos anos, o que tende a aumentar a competitividade dos exportadores do estado. Além disso, itens tradicionais de Minas com indicação geográfica, como o queijo Canastra, a cachaça de Salinas e cafés do Cerrado Mineiro e da Serra da Mantiqueira, passam a ter proteção no mercado europeu, evitando imitações.
Indústria pode ganhar competitividade, mas enfrenta concorrência
No setor industrial, o acordo também traz impactos relevantes. A União Europeia deve eliminar tarifas sobre produtos do Mercosul em até 10 anos, beneficiando exportações de máquinas, equipamentos, produtos químicos e autopeças.
Por outro lado, a abertura do mercado brasileiro para produtos europeus levanta preocupações. Parte do setor produtivo teme aumento da concorrência com itens mais tecnológicos, o que pode pressionar empresas nacionais.
Em contrapartida, entidades como a Confederação Nacional da Indústria (CNI) avaliam que o acesso a insumos mais baratos pode reduzir custos e estimular a competitividade da indústria brasileira.
Necessidade de adaptação e investimentos
O estudo da Sede-MG alerta que, para aproveitar os benefícios do acordo, produtores e empresas precisarão se adequar a exigências rigorosas do mercado europeu, principalmente nas áreas sanitária e ambiental.
Entre os desafios apontados está a necessidade de ampliar o número de empresas habilitadas para exportar produtos de origem animal, além de investir em rastreabilidade e sustentabilidade.
Nesse contexto, o governo de Minas participa de iniciativas como o programa AL-INVEST Verde, que inclui a criação de uma plataforma de rastreamento para cadeias produtivas como café, pecuária e soja, alinhada às exigências europeias.
Diversificação é apontada como caminho estratégico
Outro ponto destacado no relatório é a importância de diversificar a pauta exportadora do estado. Atualmente, grande parte das exportações mineiras ainda é baseada em commodities, o que pode deixar a economia vulnerável às oscilações do mercado internacional.
A ampliação da produção de itens com maior valor agregado é vista como essencial para fortalecer a presença de Minas Gerais no comércio global.
Acordo ainda enfrenta entraves na Europa
Apesar das expectativas positivas, o acordo ainda não está totalmente consolidado. Segundo o estudo, o Parlamento Europeu decidiu encaminhar o tratado para análise jurídica antes da ratificação final, o que pode atrasar sua implementação.
A decisão reflete divergências internas no bloco europeu, principalmente em relação ao impacto do acordo sobre o setor agropecuário.
Perspectiva de crescimento a longo prazo
Mesmo diante dos desafios, a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico avalia que o acordo tem potencial para impulsionar o crescimento econômico de Minas Gerais no longo prazo.
A expectativa é que a ampliação do comércio internacional, aliada a investimentos em inovação e infraestrutura, contribua para geração de empregos, aumento de renda e fortalecimento dos setores produtivos do estado.