O ex-detetive da polícia de Los Angeles, Mark Fuhrman, morreu aos 74 anos. A informação foi confirmada nessa segunda-feira (18/5) pelo escritório do legista do condado de Kootenai, em Idaho, nos Estados Unidos.
Fuhrman se tornou uma das figuras mais conhecidas — e controversas — do julgamento de O.J. Simpson, considerado um dos casos criminais mais midiáticos da história da televisão norte-americana.
Segundo veículos americanos, o ex-policial enfrentava um câncer agressivo na garganta.
O policial que encontrou a luva do caso O.J. Simpson
Fuhrman ganhou notoriedade em 1994, quando participou das investigações sobre as mortes de Nicole Brown Simpson e Ron Goldman.
Durante a apuração, ele encontrou uma luva ensanguentada na mansão de Simpson, em Rockingham, em Los Angeles. A acusação sustentava que o item fazia par com outra luva localizada na cena do crime.
Na época, o caso se transformou em um fenômeno midiático global, acompanhado diariamente por milhões de pessoas e apelidado de “julgamento do século”.
Racismo, gravações e queda de credibilidade
A atuação de Fuhrman, no entanto, acabou entrando em colapso durante o julgamento.
A defesa de Simpson apresentou gravações antigas nas quais o detetive utilizava insultos racistas e a palavra “nigger”, contradizendo depoimentos prestados sob juramento no tribunal.
Os advogados passaram então a sustentar que Fuhrman poderia ter manipulado provas ou plantado a luva para incriminar Simpson.
A crise de credibilidade foi um dos fatores que marcaram o julgamento e ajudaram a enfraquecer a acusação diante do júri.
Em 1996, Fuhrman acabou condenado por perjúrio após mentir sob juramento sobre o uso de termos racistas. Ele foi o único nome ligado ao caso condenado criminalmente em decorrência direta do julgamento.
Caso virou símbolo da cultura pop e da Justiça nos EUA
O julgamento de O.J. Simpson se tornou um marco da cultura pop, do jornalismo policial e do debate racial nos Estados Unidos.
Simpson acabou absolvido criminalmente em 1995, mas depois foi responsabilizado civilmente pelas mortes e condenado a indenizar a família de Ron Goldman.
Décadas depois, o caso ainda gera documentários, séries e análises sobre:
- racismo estrutural;
- relação entre polícia e população negra;
- espetacularização da Justiça;
- influência da mídia em julgamentos.
Vida após a LAPD
Após deixar a polícia, Fuhrman se mudou para Idaho e passou a trabalhar como comentarista de TV, radialista e escritor especializado em true crime.
Ele publicou livros sobre investigações criminais, incluindo análises sobre:
- o assassinato de Martha Moxley;
- o assassinato de John F. Kennedy;
- bastidores do caso O.J. Simpson.
Nos últimos anos, continuava aparecendo eventualmente em programas sobre crimes reais e investigações históricas.
Legado segue dividido
Mesmo décadas após o julgamento, Fuhrman continuava sendo uma figura profundamente divisiva nos Estados Unidos.
Para parte da opinião pública, ele simbolizava problemas históricos da polícia de Los Angeles ligados a racismo e abuso de autoridade. Para outros, era visto como um investigador experiente cuja carreira foi destruída pelo próprio julgamento.
A morte reacendeu nas redes sociais debates sobre o impacto do caso O.J. Simpson na Justiça americana e no modo como grandes julgamentos passaram a ser acompanhados pela mídia mundial.
