Falta exatamente uma semana para o início da Copa do Mundo de 2026, e todas as 48 seleções participantes já divulgaram suas listas de convocados. Além dos 26 jogadores chamados por Didier Deschamps para defender a França, outro número chama atenção: 76 atletas nascidos em território francês vão disputar o torneio por outras 12 seleções espalhadas pela América, África, Europa e Ásia.
Grande parte desses jogadores representa países que possuem forte ligação histórica com a França. É o caso de países como Argélia, Senegal e Haiti, que já estiveram sob domínio francês e mantêm laços culturais e migratórios com o país europeu. Ao longo das últimas décadas, muitos descendentes dessas comunidades nasceram e foram formados no futebol francês antes de optarem por defender as seleções de origem de suas famílias.
Outro caso curioso é o do zagueiro Aymeric Laporte. Nascido na França, ele chegou a atuar pela seleção principal francesa, mas decidiu trocar de nacionalidade esportiva e passou a defender a Espanha. Segundo a imprensa europeia, a mudança ocorreu após desavenças e perda de espaço sob o comando de Didier Deschamps. A Espanha será uma das 12 seleções que contarão com atletas nascidos em solo francês nesta Copa.
Por que ocorre esse fenômeno?
A explicação passa pela história colonial da França. Ao longo dos séculos XIX e XX, o país controlou territórios na África, no Caribe e na Ásia. Depois da independência dessas regiões, milhões de pessoas migraram para a França, formando comunidades que permanecem até hoje. Por isso, muitos jogadores nascem em território francês, mas têm pais ou avós de outros países e escolhem representar essas nações no futebol internacional.
Além da conexão familiar, outro fator pesa nessa decisão: a forte concorrência por uma vaga na seleção francesa. Para muitos atletas, representar o país de seus pais ou avós oferece uma oportunidade maior de disputar competições internacionais e realizar o sonho de jogar uma Copa do Mundo
O que diz a FIFA sobre a mudança?
Nas regras da FIFA, o local de nascimento não é o único fator que define qual seleção um jogador pode defender. O atleta precisa ter a nacionalidade do país escolhido e algum vínculo com ele, geralmente por meio de pais, avós ou do período em que viveu no território. Além disso, a entidade flexibilizou nos últimos anos as regras para mudança de seleção, permitindo que alguns jogadores troquem de país ao longo da carreira, desde que cumpram os critérios estabelecidos.
Quantos “franceses” tem cada seleção?
Argélia: 13 jogadores
Haiti: 12 jogadores
RD Congo: 11 jogadores
Senegal: 10 jogadores
Costa do Marfim: 8 jogadores
Tunísia: 7 jogadores
Marrocos: 6 jogadores
Cabo Verde: 3 jogadores
Gana: 3 jogadores
Catar: 1 jogador
Espanha: 1 jogador
Egito: 1 jogador
