O grave acidente envolvendo uma carreta desgovernada e mais de dez veículos no Anel Rodoviário de Belo Horizonte reacendeu a discussão sobre a criação de novas áreas de escape na via, historicamente marcada por acidentes graves envolvendo veículos pesados.
O acidente aconteceu nessa terça-feira (12/5), próximo ao bairro Betânia, na Região Oeste da capital. Segundo informações iniciais, a carreta perdeu os freios e não conseguiu utilizar a área de escape já existente, atingindo diversos veículos no trecho.
A situação voltou a mobilizar autoridades e especialistas em trânsito sobre a necessidade de novas intervenções estruturais no chamado Novo Anel.
O vereador de Belo Horizonte Irlan Melo (Republicanos), responsável pelo projeto que viabilizou a primeira área de escape da via, afirmou que o plano original previa outras duas estruturas ao longo do trajeto e explicou que o debate voltou à pauta após o novo acidente.
“Quando nós conseguimos a elaboração do projeto da área de escape, havia previsão de mais duas áreas de escape, uma ali onde é a MIP Engenharia e a outra depois do pátio do Detran. O prefeito Álvaro Damião sinalizou na possibilidade de colocarmos mais uma área de escape. Entretanto, como tem a possibilidade do alargamento do viaduto ali no Madre Gertrudes, uma obra de 35 milhões de reais, onde há um empurra empurra entre a prefeitura, o Estado e também a Metrô BH, surgiu a ideia de que a segunda área de escape seria desnecessária”, afirmou.
Segundo o parlamentar, a primeira área de escape já evitou acidentes ainda mais graves desde a instalação e mostrou a importância de medidas específicas para veículos pesados em um dos trechos mais perigosos da capital mineira.
Em nota, a Prefeitura de Belo Horizonte informou que realiza estudos técnicos para avaliar a necessidade e a viabilidade da implantação de novas áreas de escape ao longo do Novo Anel. A administração municipal destacou ainda que, desde que assumiu a gestão da via, em junho do ano passado, houve redução significativa nos acidentes com vítimas e também nas ocorrências fatais. De acordo com a PBH, entre janeiro e março deste ano foram registrados 113 acidentes com vítimas, contra 180 no mesmo período do ano passado — queda de aproximadamente 35%.
O Executivo municipal também informou que vem investindo em fiscalização eletrônica, reforço da sinalização, monitoramento por câmeras e ampliação das equipes de trânsito que atuam na via.
Para o coordenador do SOS Estradas e especialista em trânsito, Rodolfo Rizzotto, as áreas de escape são importantes para reduzir tragédias, mas o problema passa também pela falta de fiscalização adequada dos veículos pesados que circulam pelas rodovias brasileiras.
“Evidente que a área de escape é muito importante para garantir a segurança viária onde trafegam muitos veículos pesados. Entretanto, o que é importante a gente entender também é que todos os veículos que vão para a área de escape precisam passar por uma vistoria para verificar o que causou o problema e, no caso de negligência na manutenção, o condutor ou o proprietário precisam ser responsabilizados. Nós precisamos ter uma fiscalização rigorosa. Eu diria que hoje nem 30% da frota brasileira passaria por uma inspeção veicular, principalmente os veículos pesados. Quanto mais fiscalização, quanto mais dura for a aplicação da lei, menos vidas nós perderemos nas estradas e perímetros urbanos”, destacou.
O Ministério Público de Minas Gerais informou que a atuação sobre acidentes no Anel Rodoviário depende da instauração e conclusão de inquéritos policiais para apuração de eventuais responsabilidades criminais.
A atual área de escape do Anel Rodoviário foi implantada em agosto de 2022 e, segundo a Prefeitura de Belo Horizonte, já foi utilizada em 20 ocorrências envolvendo veículos pesados, evitando acidentes de grandes proporções.
