Uma pesquisa inédita do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), em parceria com o Instituto Datafolha, aponta que negros e moradores de áreas vulneráveis lideram os índices de medo e exposição à violência no Brasil.
O levantamento mostra que 96,2% dos brasileiros com mais de 16 anos afirmam ter medo de sofrer ao menos um tipo de crime ou violência.
A pesquisa ouviu 2.004 pessoas em 137 municípios brasileiros entre os dias 9 e 10 de março de 2026.
Golpes virtuais lideram medo dos brasileiros
O crime que mais gera preocupação é o golpe pela internet ou celular, citado por 83,2% dos entrevistados.
Na sequência aparecem:
- Roubo à mão armada (82,3%);
- Morrer durante um assalto (80,7%);
- Bala perdida;
- Agressões e violência urbana.
Segundo o levantamento, apenas duas situações ficaram abaixo de 50% de temor entre os entrevistados: agressão física por parceiro íntimo e andar pela vizinhança à noite.
População negra relata mais medo e vitimização
Os dados mostram que pessoas negras relatam mais medo e maior exposição à violência em praticamente todos os cenários analisados.
O medo de ser atingido por bala perdida atinge 80,3% da população negra, contra 71,9% entre pessoas brancas.
Já o receio de ser assassinado chega a 77,4% entre negros, enquanto entre brancos o índice é de 71%.
A pesquisa também aponta diferenças nos casos de vitimização:
- 15% dos negros tiveram familiar ou conhecido assassinado nos últimos 12 meses;
- entre brancos, o índice foi de 9,8%.
Os negros também aparecem mais expostos a:
- Roubo à mão armada;
- Assaltos na rua;
- Furto e roubo de celular;
- Casos de bala perdida.
Violência muda rotina da população
Segundo o estudo, o medo da violência já alterou hábitos de 57% dos brasileiros nos últimos 12 meses.
Entre as mudanças mais citadas estão:
- Mudar trajetos do dia a dia;
- Deixar de sair à noite;
- Evitar levar celular para a rua.
Nas capitais, o percentual de pessoas que evitam sair com celular sobe para 45,2%.
Facções e milícias influenciam rotina em bairros
A pesquisa aponta ainda que 41,2% dos brasileiros afirmam viver em bairros com presença de facções criminosas ou milícias.
Nesses territórios, os índices de vitimização e medo são ainda maiores.
Entre os moradores dessas regiões:
- 81% têm medo de ficar no meio de confrontos armados;
- 74,9% evitam frequentar determinados locais;
- 64,4% têm receio de denunciar crimes;
- 59,5% evitam falar sobre política.
Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a atuação do crime organizado vai além da violência direta e impacta a circulação, a liberdade e a vida cotidiana da população.