O CEO da Gerdau, Gustavo Werneck, afirmou nesta quinta-feira (21/5), que a indústria brasileira enfrenta dificuldades para competir com o aço importado da China devido ao que classificou como ‘práticas comerciais fora dos padrões estabelecidos pela Organização Mundial do Comércio’.
A declaração foi dada durante o evento do Dia da Indústria, promovido pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), em Belo Horizonte.
Segundo o dirigente da Gerdau, a indústria nacional não perde competitividade por falta de eficiência, mas pelos custos estruturais do ambiente de negócios brasileiro e pela entrada de produtos estrangeiros subsidiados. “O aço chinês que entra no Brasil não respeita aquilo que preconiza a Organização Mundial do Comércio. Ele tem subsídio do governo, ele não compete de forma isonômica”, afirmou.
O executivo defendeu a adoção de mecanismos de defesa comercial contra práticas de dumping, quando produtos são vendidos abaixo do valor de mercado para ampliar participação em outros países. De acordo com ele, a medida não representa protecionismo, mas uma tentativa de equilibrar a concorrência no mercado brasileiro.
“A gente não quer nenhum tipo de proteção. A gente quer ser defendido de uma competição desleal”, declarou.
Custo Brasil reduz capacidade de competição
Durante a entrevista, Gustavo Werneck voltou a citar o chamado “Custo Brasil” como um dos principais entraves para o setor industrial. Segundo ele, fatores externos às empresas dificultam a capacidade de competir internacionalmente, mesmo com investimentos em tecnologia e produtividade.
“O que acontece fora dos muros da empresa cria dificuldades da gente competir globalmente”, afirmou. Ele disse ainda que a indústria brasileira precisou aumentar a eficiência ao longo dos anos para continuar operando em meio aos desafios econômicos e tributários do país.
O CEO da Gerdau também destacou a relevância da indústria para a economia nacional. “Quase 40% dos impostos federais são recolhidos pela indústria. O Brasil não pode prosperar sem uma indústria forte”, disse.
Gerdau quer reativar plantas paradas no Brasil
O CEO da empresa afirmou ainda que a prioridade da empresa passou a ser o atendimento do mercado interno, reduzindo a dependência das exportações. Segundo ele, a entrada de aço importado tem ocupado espaço que antes era abastecido pela produção nacional.
“O grande objetivo nosso é voltar a produzir para atender os clientes no Brasil que estão sendo atendidos por esse aço importado que entra de forma desleal”, afirmou.
O executivo disse ainda que a companhia possui plantas industriais paradas, inclusive em Minas Gerais, e que a reativação dessas unidades depende de um ambiente de concorrência considerado mais equilibrado. “Colocar essas plantas para produzir novamente no curto período de tempo é o grande desejo nosso”, declarou.
Gustavo Werneck também demonstrou expectativa positiva em relação à atuação do ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, nas discussões sobre defesa comercial e medidas antidumping para o setor siderúrgico.