A desaceleração da economia de Minas Gerais no início de 2026 expôs uma combinação de fatores internos e externos que devem continuar influenciando o desempenho do estado nos próximos meses. Após retração de 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre, a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) avalia que a atividade econômica seguirá em ritmo mais moderado, pressionada por juros elevados, incertezas internacionais e desafios climáticos.
O cenário internacional aparece como um dos principais pontos de atenção. Embora o relatório não trate diretamente do conflito entre Irã e Estados Unidos, a FIEMG destaca que as incertezas externas seguem como um fator relevante para a economia mineira. Uma eventual redução das tensões no Oriente Médio e a normalização do fluxo comercial global poderiam diminuir pressões sobre energia, logística e inflação, reduzindo parte dos riscos para a atividade econômica.
Desafios da indústria e do agro vêm de dentro e de fora do país
Os dados mostram que tanto a agropecuária quanto a indústria enfrentam dificuldades provocadas por fatores domésticos e internacionais.
No campo, a agropecuária registrou queda de 15,6% na comparação com o primeiro trimestre de 2025, sendo o principal fator para a retração do PIB mineiro. Além disso, a FIEMG alerta que a possível confirmação do fenômeno El Niño pode afetar o regime de chuvas, impactando produção, custos e preços até o fim de 2026 e início de 2027.
Já a indústria convive com obstáculos ligados ao crédito caro e à cautela dos investidores. Os segmentos mais dependentes de financiamento tendem a enfrentar maiores restrições diante dos juros elevados. Ao mesmo tempo, o setor também está exposto ao cenário internacional, especialmente à desaceleração da economia chinesa, considerada um risco relevante para Minas devido à forte dependência das exportações de minérios, produtos siderúrgicos e commodities.
Por outro lado, a entidade avalia que a construção civil pode ganhar fôlego ao longo do ano, impulsionada por programas habitacionais, crédito direcionado e investimentos em infraestrutura, beneficiando cadeias produtivas ligadas à metalurgia, cimento, máquinas e equipamentos.
Juros podem limitar recuperação da economia mineira
Entre os fatores internos, a manutenção dos juros em patamar elevado é apontada como uma das principais ameaças ao crescimento de Minas Gerais.
Segundo a FIEMG, os resultados do primeiro trimestre já sinalizam uma desaceleração que deve permanecer nos próximos meses, condicionada justamente pelos juros elevados, pelas pressões inflacionárias e pela maior cautela nas decisões de investimento.
A avaliação é que o consumo das famílias ainda deve sustentar parte da atividade econômica, favorecido pelo mercado de trabalho resiliente e por estímulos fiscais e creditícios. No entanto, o custo do crédito continua sendo um obstáculo para setores produtivos que dependem de financiamentos para ampliar investimentos e produção.
Minas deve crescer abaixo do Brasil em 2026
Diante desse cenário, a FIEMG projeta crescimento de 1,6% para a economia mineira em 2026, abaixo da estimativa de 2% para o Brasil. A indústria deve avançar 2%, enquanto os serviços devem crescer 1,5% e a agropecuária, 0,9%.
Apesar da expectativa de crescimento ao longo do ano, a entidade avalia que a recuperação ocorrerá em ritmo moderado, influenciada tanto pelos desafios internos quanto pelo ambiente internacional, que segue marcado por incertezas comerciais, geopolíticas e econômicas.
