A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) indiciou o advogado João Bráulio Faria de Vilhena Filho, de 33 anos, por uma série de crimes cometidos contra a empresária Pollyana Pilar, de 25 anos, em Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, na madrugada de Ano-Novo. O inquérito foi encaminhado à Justiça na última quarta-feira (4/2).
João Bráulio responderá por ameaça contra a mulher por razões da condição do sexo feminino, violência psicológica, injúria, lesão corporal no âmbito da violência doméstica, estupro, sequestro e cárcere privado. De acordo com o boletim do caso, os fatos ocorreram após o retorno do casal de uma festa de Réveillon, no bairro Vila da Serra.
A investigação foi conduzida pela Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) de Nova Lima e teve início em 4 de janeiro. Segundo a PCMG, foram realizadas “oitivas de testemunhas, da vítima e do suspeito, elaboração de laudos periciais, bem como análise de imagens e vídeos”, que fundamentaram a conclusão do inquérito.
Com base nas provas reunidas, a instituição representou pela prisão do investigado. O pedido também foi feito pelo Ministério Público, mas acabou indeferido pelo Judiciário. “Com a conclusão do inquérito policial, o procedimento foi encaminhado ao Poder Judiciário para as providências legais cabíveis”, informou a PCMG em nota.
Relembre o caso
O caso ganhou repercussão após a empresária relatar publicamente uma escalada de violência ao longo da madrugada de 1º de janeiro. Segundo Pollyana, as agressões começaram na volta da festa e se intensificaram no apartamento de João Bráulio. Pelo Instagram, a vítima denunciou empurrões, xingamentos, roupas rasgadas, coerção sexual e impedimento de deixar o local.
Ainda no dia das agressões, a empresária registrou dois boletins de ocorrência e procurou atendimento hospitalar, onde realizou exames e recebeu medicação para dor. À reportagem, ela relatou episódios recorrentes de violência psicológica durante o relacionamento. Pollyana entrou com pedido de medida protetiva contra o advogado.
À PCMG, João Bráulio negou os crimes. De acordo com a polícia, ele afirmou que o relacionamento era tranquilo e que houve apenas um desentendimento motivado por ciúmes, dizendo que “apenas tentou conter a vítima e retirá-la do local”, admitindo “excesso no uso da força”.
Em nota, a defesa de Pollyana afirmou receber “com indignação” a não decretação da prisão do acusado. “O indiciamento e até mesmo a medida protetiva não garantem a segurança dela [Pollyana]”, registrou. “Ela reside no mesmo prédio que o agressor, em andares distintos, onde a medida protetiva decretada está sendo descumprida a todo tempo”, complementou.
Ainda de acordo com a defesa da empresária, o “pedigree” influente do suspeito pesaria demais para a liberdade dele. “Se fosse um pobre estaria preso preventivamente”, questinou.
A reportagem procurou João Bráulio Faria de Vilhena Filho, que não se manifestou. O espaço segue aberto para esclarecimentos.
