O governo dos Estados Unidos classificou como “absurda” a hipótese levantada pelo Ministério das Relações Exteriores de que a decisão americana de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas possa abrir margem para uma ação militar em território brasileiro.
A manifestação foi feita por um porta-voz do Departamento de Estado dos Estados Unidos em resposta a um ofício enviado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, à Câmara dos Deputados. No documento, o Itamaraty afirma que a medida norte-americana pode produzir impactos “tanto no plano econômico quanto no da soberania nacional” e que não trará benefícios concretos para a cooperação entre os dois países no combate ao crime organizado.
Departamento de Estado rejeita avaliação do Itamaraty
Ao comentar o ofício, um porta-voz do Departamento de Estado afirmou que a interpretação do governo brasileiro é “absurda”.
Segundo a autoridade americana, o governo dos Estados Unidos tem atuado para combater organizações criminosas que também operam em território norte-americano.
Ainda de acordo com o porta-voz, “alegações vagas” sobre uma eventual intervenção militar costumam “servir de pretexto para auxiliar e dar respaldo a alguns dos grupos mais violentos do mundo”. Ele acrescentou que o governo dos Estados Unidos adota medidas, dentro de suas competências soberanas, para combater organizações classificadas como narcoterroristas.
Itamaraty vê impactos para a soberania brasileira
No ofício encaminhado à Câmara dos Deputados, o ministro Mauro Vieira afirmou que a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas pode abrir margem para o uso da força militar pelo governo norte-americano em território brasileiro.
O documento também afirma que a medida não deve gerar benefícios concretos para a cooperação internacional entre Brasil e Estados Unidos no enfrentamento ao crime organizado e pode produzir reflexos econômicos e impactos relacionados à soberania nacional.