Mais de um terço dos professores brasileiros avaliados pelo Ministério da Educação (MEC) não possui as condições mínimas consideradas ideais para exercer a profissão. Os dados inéditos são da Prova Nacional Docente (PND), apelidada de “Enem dos professores”, divulgados nesta quarta-feira (20/5).
O diagnóstico nacional contou com a adesão de 22 redes estaduais e 1.508 municípios, incluindo Belo Horizonte. No total, 266.322 profissionais pontuaram abaixo da média de proficiência exigida, o que representa 35% dos participantes.
A maior defasagem na formação acadêmica foi identificada na área de Matemática, onde 54,1% dos docentes não alcançaram o patamar básico. Em seguida, as disciplinas de Artes (50,1%) e Letras (39,3%) registraram as piores taxas de aptidão no exame.
Porcentagem por área
- Matemática: 54,1% não proficientes
- Artes: 50,1% não proficientes
- Letras: 39,3% não proficientes
- Pedagogia: 37,2% não proficientes
- Educação Física: 30,8% não proficientes
- Ciências: 21,6% não proficientes
- Ciências Humanas: 19,8% não proficientes
Níveis de classificação
Para os aprovados, o Inep estabeleceu dois níveis de classificação baseados na nota final. A maioria dos proficientes (62,8%) ficou no Padrão 1, indicando que o docente tem recursos mínimos para planejar, mas ainda demanda orientação na rotina escolar.
Apenas 37,2% dos candidatos atingiram o Padrão 2, nível que chancela competências sólidas e autonomia em sala de aula. Apesar dos índices baixos, o governo pondera que o Brasil dispõe de contingente aprovado suficiente para suprir a demanda anual de 118 mil novos regentes.
“O MEC irá se debruçar sobre esses resultados para direcionar nossas políticas de formação continuada e auxiliar as redes estaduais e municipais”, afirmou o ministro da Educação, Leonardo Barchini.
Crise no modelo EAD e novas punições do governo
Os resultados individuais dos professores conversam diretamente com outro indicador crítico: o Conceito Enade das Licenciaturas. O relatório apontou que 38% dos 4.547 cursos de formação docente no país obtiveram notas 1 e 2, as mais baixas do indicador.
O cenário é alarmante no modelo de educação a distância (EAD), modalidade na qual 60,5% das graduações registraram desempenho insuficiente. Diante disso, o Conselho Nacional de Educação (CNE) discute fixar em 50% o limite mínimo de carga horária presencial para as licenciaturas.
Por fim, o governo alertou que as faculdades presenciais que amargaram conceitos 1 e 2 no Enade sofrerão sanções imediatas. A renovação automática de funcionamento foi travada e as instituições precisarão comprovar melhorias urgentes para não perderem o credenciamento.
