A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) acompanha com atenção a lista preliminar publicada pela Comissão Europeia, que não inclui o Brasil entre os países habilitados a exportar determinados animais e produtos de origem animal destinados ao consumo humano ao bloco europeu, no âmbito das novas exigências relacionadas ao uso de antimicrobianos. Por se tratar de um documento ainda preliminar, a expectativa é de continuidade do diálogo técnico antes da publicação da versão definitiva.
A eventual manutenção do Brasil fora da lista preocupa por atingir cadeias relevantes da pauta exportadora brasileira e mineira, como carnes bovinas e de aves, peixes, produtos lácteos, ovos, mel e preparações de carnes. Um levantamento do Centro Internacional de Negócios da Fiemg aponta que produtos potencialmente afetados somaram US$ 33,44 bilhões em exportações brasileiras em 2025, sendo US$ 1,81 bilhão destinados à União Europeia, o equivalente a 5,4% dos embarques desses setores. Em Minas Gerais, as exportações do grupo alcançaram US$ 1,9 bilhão, com US$ 82,28 milhões enviados ao mercado europeu, participação de 4,3%.
Para Verônica Winter, coordenadora de Facilitação de Negócios Internacionais da Fiemg, a medida reduz os benefícios do acordo recém-firmado. “Mesmo representando uma parcela ainda limitada dos embarques totais, o mercado europeu tem apresentado crescimento expressivo nos últimos anos, especialmente nas cadeias de carnes e mel, produtos de forte relevância para Minas Gerais e para o Brasil. Esses estão entre os segmentos mais beneficiados pelo acordo Mercosul-União Europeia, considerando que boa parte das exportações mineiras ao bloco é composta por produtos minerais e insumos industriais que já possuem isenção tarifária”, destacou.
A Fiemg reforça que o Brasil possui uma cadeia produtiva reconhecida internacionalmente e que vem avançando no controle sanitário, no uso responsável de medicamentos veterinários e no combate à resistência antimicrobiana. A entidade destaca ainda que medidas sanitárias e regulatórias devem ser conduzidas com base em critérios técnicos, científicos e transparentes, garantindo previsibilidade e tratamento justo ao comércio internacional, sem que exigências legítimas de controle sanitário sejam transformadas em obstáculos comerciais. A federação defende que o momento exige atuação coordenada entre governo e setor produtivo para assegurar à União Europeia todas as garantias técnicas necessárias à continuidade do acesso dos produtos brasileiros ao mercado europeu.
