Aos 20 anos, Reinier Martins realizou um sonho que, para ele, representa muito mais do que aprender a dirigir. Nascido sem os braços, devido à agenesia dos membros superiores, o jovem conquistou a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) após ser aprovado no exame prático de direção.
Morador de Juatuba, na região Metropolitana de Belo Horizonte, Reinier conta que sempre teve vontade de dirigir. Desde criança, ele dependia da mãe para acompanhá-lo em consultas e terapias, enquanto o pai trabalhava. Como a família não tinha carro e a mãe não dirige, os deslocamentos eram feitos de ônibus.
“Eu sempre tive vontade de aprender a dirigir”, conta. Para ele, a habilitação representa a possibilidade de ter mais autonomia e independência no dia a dia, além de facilitar a locomoção dos pais. O jovem ainda não tem um carro, mas decidiu tirar a carteira primeiro para, depois, buscar um veículo adaptado.
O processo para conseguir a CNH começou no fim do ano passado. Um dos principais desafios foi encontrar uma autoescola preparada para atender às necessidades dele. Reinier encontrou uma unidade adaptada em Pará de Minas, na região Central de Minas, onde fez as aulas práticas e recebeu acompanhamento durante a preparação para o exame.
“Foi um processo muito difícil, mas fui muito bem recebido e acompanhado. Fiz as aulas e fui totalmente preparado para conseguir esse êxito no exame”, relata.

Uma vida de autonomia
Para Reinier, a conquista da carteira é mais um passo em uma trajetória marcada pela busca por independência. Desde criança, ele passou por atividades e terapias para desenvolver a autonomia, incluindo terapia ocupacional, hidroterapia, equoterapia e artes marciais. Também praticou natação e futebol.
Ele estudou o ensino médio junto com um curso técnico em agropecuária, área escolhida também pela relação com o trabalho do pai, que atua na pecuária leiteira. Depois, formou-se em técnico florestal pela CEDAF, campus da Universidade Federal de Viçosa (UFV).
Atualmente, Reinier está no segundo período de Agronomia na Universidade Federal de Lavras (UFLA) e mora sozinho. A rotina de estudos e as atividades do dia a dia são, segundo ele, exemplos de que a deficiência não o impede de buscar os objetivos que deseja.
“Eu moro sozinho, faço graduação, estudo e consigo viver a vida normalmente. Isso foi uma grande conquista para mim”, afirma.
‘Eu provei para mim mesmo que consigo’
A aprovação no exame de direção também ganhou repercussão nas redes sociais. Reinier conta que ficou emocionado com o carinho recebido depois de compartilhar a conquista.
Mais do que mostrar que conseguiu tirar a carteira, ele espera que sua história ajude a ampliar a percepção sobre as possibilidades de pessoas com deficiência.
“Provei para mim mesmo que eu consigo fazer. Foi uma gratidão imensa”, diz.
Agora, ele pretende continuar os estudos e, futuramente, conquistar o próprio carro. A habilitação, para Reinier, é o começo de uma nova etapa, com mais liberdade para se deslocar, ajudar os pais e seguir construindo a própria trajetória.
