A Organização das Nações Unidas (ONU) alertou nesta sexta-feira (15) que cerca de 20 milhões de pessoas enfrentam fome aguda no Sudão, país africano devastado por uma guerra civil que já dura mais de três anos.
Segundo estimativa divulgada pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), pelo Programa Mundial de Alimentos (PMA) e pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), aproximadamente 19,5 milhões de sudaneses vivem em situação crítica de insegurança alimentar. O número representa mais de 40% da população do país.
Guerra no Sudão agravou crise humanitária
O conflito começou em abril de 2023 e opõe o Exército sudanês às Forças de Apoio Rápido (FAR), grupo paramilitar que disputa o controle do país.
De acordo com a ONU, a guerra provocou deslocamentos em massa, destruição da infraestrutura e restrições ao acesso humanitário, cenário que agravou a crise alimentar.
As Nações Unidas classificam a situação no Sudão como a maior crise de fome do mundo atualmente.
Regiões enfrentam risco extremo de fome
Segundo o relatório da Classificação Integrada das Fases de Segurança Alimentar (CIF), 14 áreas das regiões de Darfur do Norte, Darfur do Sul e Cordofão do Sul estão ameaçadas por níveis extremos de fome.
O levantamento aponta ainda que cerca de 135 mil pessoas já vivem em condição considerada “catastrófica”, estágio mais grave da escala internacional de insegurança alimentar.
A ONU alerta que o cenário pode piorar caso os combates se intensifiquem e o acesso de ajuda humanitária continue limitado.
ONU teme aumento de mortes entre crianças
As agências internacionais também demonstraram preocupação com a situação das crianças no país.
A previsão é de que cerca de 825 mil crianças menores de cinco anos sofram desnutrição aguda severa ao longo de 2026, aumento de 7% em relação ao ano anterior.
Diretora-executiva do Unicef, Catherine Russell afirmou que muitas crianças chegam aos centros de atendimento “fracas demais para chorar”.
“Mais crianças morrerão se medidas rápidas não forem tomadas”, alertou.
Já a diretora do PMA, Cindy McCain, pediu ação urgente da comunidade internacional para impedir que a crise “se transforme em uma tragédia ainda mais grave”.