Um dia após ser condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por coação no curso do processo, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) pediu ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que volte a impor sanções contra o ministro Alexandre de Moraes.
Em vídeo publicado em inglês nas redes sociais, Eduardo afirmou estar “orgulhoso” da atuação que vem desempenhando nos Estados Unidos e fez um apelo direto ao presidente americano.
“Presidente Trump, por favor, retome a Lei Magnitsky. Esses caras são violadores de direitos humanos”, declarou.
A manifestação ocorreu após a Primeira Turma do STF condenar o ex-parlamentar a quatro anos e dois meses de prisão, em regime inicial semiaberto, além de multa. A Corte também determinou a perda do cargo de escrivão da Polícia Federal e a inelegibilidade por oito anos após o cumprimento da pena.
Eduardo diz que condenação é perseguição política
No vídeo, Eduardo afirmou que a condenação seria uma retaliação pela atuação junto a autoridades americanas e negou que as sanções impostas pelos Estados Unidos contra Moraes representem um ataque ao Brasil.
“Não, isso não é um ataque contra o Brasil. Isso é um presidente da democracia número um do mundo dizendo que esse ministro é o mesmo que baniu o X no Brasil, bloqueou as contas da Starlink e estava emitindo mandados de prisão contra cidadãos americanos”, afirmou.
O ex-deputado também alegou que não reconhece a condenação e disse que acompanha o andamento do processo por meio da imprensa e das redes sociais.
“Estou sendo condenado pelo que fiz aqui nos Estados Unidos. Peguei mais de quatro anos de prisão. Tudo o que sei vem da imprensa e das redes sociais”, declarou.
Moraes apontou tentativa de interferência na Justiça
Ao votar pela condenação, o relator Alexandre de Moraes entendeu que Eduardo Bolsonaro atuou para constranger ministros do Supremo e interferir no andamento dos processos relacionados à tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.
Segundo Moraes, as articulações realizadas pelo ex-deputado junto a autoridades americanas extrapolaram os limites da atuação política e tiveram como objetivo pressionar integrantes do Judiciário brasileiro.
O ministro também rejeitou os argumentos de parcialidade apresentados pela defesa e afirmou que a vítima do crime de coação no curso do processo é a própria administração da Justiça.
Ex-deputado cita Flávio Bolsonaro e fala em indulto
Durante a gravação, Eduardo Bolsonaro também afirmou que pretende manter sua atuação política nos Estados Unidos e associou o julgamento ao cenário eleitoral brasileiro.
“Estou muito orgulhoso, porque se eles estão me condenando, é porque ainda estou fazendo um ótimo trabalho. E eu nunca vou parar”, disse.
Na sequência, o ex-parlamentar afirmou acreditar na eleição do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para a Presidência da República em 2026.
“Flávio poderá me perdoar pelos crimes que eu não cometi. E até mesmo ao meu pai, que foi condenado a 27 anos de prisão por uma falsa tentativa de golpe de Estado”, declarou.
🇧🇷🇺🇸NO FILTER
— Eduardo Bolsonaro🇧🇷 (@BolsonaroSP) June 17, 2026
My quick video explains what is happening in Brazil after yesterday’s conviction by Brazil’s Supreme Court, sentencing me to 4 years and 2 months in prison for denouncing human rights violator Alexandre de Moraes.
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