O governo federal vai preparar um conjunto de medidas econômicas para apresentar ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) após seu retorno de viagem. A informação foi confirmada pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, nesta quinta-feira (5/11), após uma reunião no Palácio da Alvorada com ministros, ex-ministros e economistas.
O encontro ocorreu um dia depois de o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central interromper o ciclo de cortes da taxa básica de juros, mantendo a Selic em 13,75% ao ano.
Segundo Durigan, a reunião teve como objetivo avaliar o cenário econômico brasileiro e discutir prioridades para os próximos anos. O ministro afirmou que houve consenso entre os participantes, mas ressaltou que nenhuma medida específica foi definida.
“A reunião foi muito boa, bastante convergente em termos de diagnóstico, em termos de caminhos para o futuro, caminhos que devem ser adotados, sempre muito forte na premissa dos compromissos que o presidente apresentou, que foram referendados pelas urnas do país”, afirmou.
O ministro explicou que trabalhará com o titular do Planejamento, Bruno Moretti, na elaboração das propostas. Antes de apresentar as medidas a Lula, o governo pretende ouvir representantes da sociedade civil, empresários e integrantes do mercado financeiro.
“Não teve discussão sobre medidas específicas e não é ainda o momento de tratar de nenhuma medida específica”, destacou.
Juros e custo de vida preocupam governo
Durigan afirmou que a reunião identificou avanços na economia, como o desemprego em mínima histórica e a inflação sob controle, mas também apontou desafios para os próximos anos.
Entre as preocupações estão os juros elevados, o cenário internacional de conflitos, as pressões sobre os combustíveis e os possíveis impactos no custo de vida da população.
“A taxa de juros é um desafio que nós temos. O cenário internacional, com um cenário de guerra, pressão sobre combustíveis, é um outro tema bastante explorado, o custo de vida, o quanto isso pode impactar o custo de vida das pessoas e a necessidade de ter uma agenda resoluta e bastante clara para o futuro”, explicou.
O ministro afirmou que Lula deverá promover novas reuniões com diferentes setores antes de definir as propostas econômicas.
A expectativa é que as medidas sejam apresentadas ao presidente após a viagem, mas Durigan não estabeleceu uma data para o anúncio público.