O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou a privatização de empresas públicas brasileiras e defendeu que a exploração de minerais críticos e estratégicos gere benefícios para a população. As declarações foram feitas nesta quinta-feira (5/11), durante a primeira reunião do Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos (CIMCE), no Palácio do Planalto.
Durante o encontro, o governo federal aprovou uma lista de 27 minerais considerados críticos e estratégicos para o país, divididos em três classes de prioridade. A classificação será utilizada para orientar investimentos, incentivos financeiros e mecanismos de controle sobre operações envolvendo esses materiais.
Em seu discurso, Lula afirmou que a exploração das riquezas minerais brasileiras precisa estar vinculada a um projeto de desenvolvimento nacional. O presidente também criticou governos anteriores por terem vendido empresas consideradas estratégicas para a economia.
“Se o país não é governado por gente séria, essas coisas são vendidas a preço de banana, porque o lucro não é coletivo, é de uma pessoa que quer vender e vende. Se não fosse assim, a gente não veria tantas privatizações que já houve nesse país”, afirmou.
Lula citou a Vale e a Eletrobras como exemplos de empresas privatizadas e questionou os motivos que levaram à transferência dessas companhias para o setor privado.
“Por que privatizar a Vale? Ela foi privatizada. Por que privatizar a Eletrobras? Ela foi privatizada. Por que privatizar tantas outras empresas brasileiras que nós tivemos de muita importância estratégica para o país? É porque os governantes não tinham projeto de pátria, tinham projeto de conta bancária”, declarou.
Exploração mineral deve gerar empregos e desenvolvimento
O presidente afirmou que o objetivo do governo não é impedir a participação da iniciativa privada na exploração mineral, mas garantir que os investimentos também produzam resultados sociais e econômicos para o Brasil.
Segundo Lula, o país precisa avançar no processamento e na industrialização dos recursos minerais, evitando que a atividade se limite à extração das matérias-primas.
“Nós não queremos fazer com que o Estado seja senhor supremo da exploração, da transformação, da industrialização. Não. Aqui está dito que nós queremos construir parceria. Aqui está dito que nós precisamos aprender, construir com outros países que queiram participar conosco do processo de transformação e de exploração dessa riqueza”, explicou.
O presidente também defendeu que os benefícios da atividade mineral sejam percebidos pelas comunidades e pelas próximas gerações.
“Nós não queremos apenas deixar buraco nas cidades. Queremos deixar escola, queremos deixar emprego de qualidade, queremos deixar universidade e queremos deixar, sobretudo, dignidade para as pessoas que ainda não nasceram, mas que são filhos do Brasil”, afirmou.
Para Lula, o desenvolvimento econômico deve ir além dos interesses de empresas e investidores, com resultados que alcancem a população.
O presidente também mencionou tentativas de privatização da Petrobras e criticou a venda de ativos da companhia, incluindo refinarias.
Governo define prioridades para 27 minerais
A lista aprovada pelo CIMCE estabelece três níveis de prioridade para os minerais considerados importantes para a economia e a soberania nacional.
Entre os nove materiais classificados com prioridade alta estão terras raras, grafita, lítio, níquel, cobalto, cobre, manganês, silício e urânio.
A classificação considera fatores como riscos geopolíticos, concentração da oferta mundial, dependência externa e importância dos minerais para cadeias produtivas brasileiras.
Os materiais considerados prioritários terão preferência no acesso a instrumentos de financiamento e estarão sujeitos a mecanismos de análise de investimentos e operações comerciais, conforme as regras que ainda serão detalhadas pelo conselho.
Para Lula, a criação do colegiado representa uma oportunidade de estabelecer uma política de longo prazo para o aproveitamento das riquezas minerais brasileiras.