O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça determinou, nesta quinta-feira (25/6), a transferência do empresário Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, da carceragem da Polícia Federal, em Brasília, para a chamada Papudinha, unidade destinada a presos provisórios no Complexo Penitenciário da Papuda.
A decisão foi tomada após a Polícia Federal solicitar a remoção do investigado, uma vez que as tentativas de firmar um acordo de colaboração premiada fracassaram.
PF e PGR rejeitaram propostas de delação
Daniel Vorcaro estava preso na Superintendência da Polícia Federal desde março, período em que permaneceu na unidade para facilitar as negociações de um possível acordo de delação premiada.
A defesa apresentou duas propostas de colaboração, mas ambas foram rejeitadas. Primeiro, a Polícia Federal concluiu que os relatos não traziam fatos inéditos ou elementos suficientes para justificar o acordo. Em seguida, a Procuradoria-Geral da República (PGR) também opinou contra a celebração da delação.
Na decisão, André Mendonça determinou que a transferência ocorra em até 24 horas.
Polícia Federal alegou que cela é destinada a presos de passagem
Ao pedir a remoção, a Polícia Federal argumentou que a carceragem da Superintendência foi projetada para custodiar presos temporariamente, e não investigados em prisão preventiva, como é o caso de Daniel Vorcaro.
Mendonça acolheu o pedido e determinou que o empresário seja encaminhado ao 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha.
A unidade fica ao lado do Complexo Penitenciário da Papuda e já recebeu outros investigados de grande repercussão, como o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o ex-ministro Anderson Torres e o ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Silvinei Vasques.
Vorcaro é investigado na Operação Compliance Zero
Daniel Vorcaro é um dos principais investigados da Operação Compliance Zero, que apura a existência de um suposto esquema de organização criminosa, lavagem de dinheiro, corrupção, invasão de dispositivos informáticos e intimidação de testemunhas.
Segundo a Polícia Federal, o empresário teria comandado um esquema para inflar artificialmente o patrimônio do Banco Master.
As investigações apontam que carteiras de crédito supostamente falsas, avaliadas em cerca de R$ 12 bilhões, teriam sido utilizadas para registrar ativos inexistentes e aumentar o valor contábil da instituição financeira.