O ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington Lima e Silva, afirmou nesta terça-feira (27/05) que o pedido de extradição do ex-deputado Alexandre Ramagem ainda aguarda resposta oficial dos Estados Unidos.
A declaração foi dada durante audiência pública na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara dos Deputados.
Segundo o ministro, o processo de extradição aberto pelo Supremo Tribunal Federal em dezembro segue em tramitação junto ao Departamento de Estado americano.
A condenação definitiva de Ramagem no caso da trama golpista foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes em novembro do ano passado.
Ministro nega participação operacional da PF em detenção
Durante a audiência, Wellington Lima e Silva também afirmou que a detenção de Ramagem pelo serviço de imigração dos Estados Unidos, o ICE, em abril, não ocorreu diretamente por causa do pedido de extradição brasileiro.
Segundo ele, a ação teria relação com questões migratórias previstas na legislação americana.
O ministro ressaltou ainda que a Polícia Federal brasileira não participou operacionalmente da abordagem ou da prisão do ex-deputado.
“Não houve participação do oficialato da PF em atividades operacionais ou decisórias”, afirmou.
Caso gerou tensão diplomática entre Brasil e EUA
Após a prisão e posterior liberação de Ramagem, integrantes do governo americano passaram a criticar autoridades brasileiras.
O Escritório de Assuntos do Hemisfério Ocidental, ligado ao Departamento de Estado dos EUA, chegou a afirmar que houve tentativa de “manipulação” do sistema migratório americano para fins políticos, sem citar diretamente nomes.
O episódio abriu uma nova frente de tensão diplomática entre o governo brasileiro e a gestão do presidente Donald Trump.
Debate na Câmara teve críticas à Polícia Federal
Durante a audiência pública, o deputado Marcel Van Hattem criticou a ausência do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, em convocações feitas pela Câmara.
O parlamentar também questionou o ministro sobre uma possível troca no comando da PF, mas foi interrompido por deputados da base governista durante a sessão.