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Pessoas negras têm maior risco de controle inadequado do diabetes, aponta estudo

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(IMAGEM ILUSTRATIVA/Arquivo EBC)

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Pessoas negras, especialmente mulheres negras, são mais afetadas pelo controle inadequado do Diabetes Mellitus Tipo 2 no Brasil, segundo pesquisa do Estudo Longitudinal da Saúde do Adulto, o Elsa-Brasil.

O estudo acompanhou 1.009 participantes entre 2008 e 2019 e mostrou que o controle glicêmico piorou em todos os grupos ao longo do tempo. No entanto, a velocidade e a intensidade dessa piora foram maiores entre pessoas pretas e pardas.

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A pesquisa foi publicada no Journal of Racial and Ethnic Health Disparities e é considerada a primeira de caráter longitudinal a usar uma abordagem interseccional para analisar a trajetória do controle glicêmico em pacientes com diabetes.

Racismo estrutural influencia tratamento

Segundo a pesquisadora Gisseila Garcia, epidemiologista e doutora pela UFMG, o controle inadequado do diabetes não pode ser explicado apenas por dieta, atividade física ou fatores biológicos.

O estudo aponta que desigualdades estruturais, como racismo, pobreza, insegurança alimentar e dificuldade de acesso a serviços de saúde, também influenciam diretamente o tratamento.

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“Embora existam explicações biológicas, como fatores hormonais, para a piora do controle do diabetes em mulheres, os resultados mostram que homens negros também apresentam controle menos efetivo ao longo do tempo”, afirmou Garcia.

Segundo ela, isso indica que as diferenças observadas não podem ser atribuídas somente à biologia.

“Essas diferenças não podem ser explicadas apenas pela biologia, mas sobretudo por desigualdades estruturais e determinantes sociais, como racismo, condições de vida desiguais e acesso limitado aos serviços de saúde”, completou.

Mulheres negras são grupo mais vulnerável

A análise mostrou que a combinação entre raça/cor e gênero aumenta o risco de pior controle da doença.

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Mulheres negras aparecem como o grupo mais vulnerável ao controle inadequado do Diabetes Mellitus Tipo 2, o que reforça o peso das desigualdades sociais e de gênero no cuidado em saúde.

Para os pesquisadores, os dados mostram que políticas públicas de prevenção e tratamento precisam considerar não apenas o comportamento individual, mas também as barreiras sociais que dificultam o acesso contínuo ao cuidado.

O que é Diabetes Mellitus Tipo 2?

O Diabetes Mellitus Tipo 2 é uma doença crônica caracterizada principalmente pela resistência do organismo à insulina.

A condição provoca aumento dos níveis de glicose no sangue. Quando não é controlada de forma adequada, pode causar complicações graves, como doenças cardiovasculares, insuficiência renal, amputações e cegueira.

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O controle da doença é acompanhado por exames como a hemoglobina glicada, conhecida como HbA1c, que indica a média da glicose no sangue nos últimos meses.

Controle depende de acesso contínuo à saúde

O tratamento adequado do diabetes envolve medicação, alimentação equilibrada, prática de atividade física, acompanhamento médico e acesso regular aos serviços de saúde.

No entanto, o estudo aponta que nem todos os grupos têm as mesmas condições de manter esse cuidado ao longo do tempo.

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Dificuldades financeiras, insegurança alimentar, barreiras no acesso a consultas, exames e medicamentos, além do racismo estrutural, podem afetar diretamente a continuidade do tratamento.

Dia Nacional do Diabetes reforça alerta

A divulgação do estudo ocorre no contexto do Dia Nacional do Diabetes, celebrado em 26 de junho.

A data busca conscientizar a população sobre prevenção, diagnóstico precoce e controle da doença.

O Diabetes Mellitus Tipo 2 é uma das doenças crônicas mais comuns no mundo e exige acompanhamento contínuo para reduzir o risco de complicações.

O que é o Elsa-Brasil?

O Estudo Longitudinal de Saúde do Adulto, conhecido como Elsa-Brasil, é uma das maiores pesquisas epidemiológicas do país.

O projeto acompanha, há 17 anos, aspectos cardiovasculares, metabólicos e sociais da saúde de adultos brasileiros.

A iniciativa é coordenada por seis instituições públicas de ensino e pesquisa, entre elas a UFMG, e conta com financiamento do Ministério da Saúde.

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Roberth R Costa

Atuo há quase 13 anos com jornalismo digital. Coordenador Multimídia. Rede 98 | 98 News

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