Um paciente de 28 anos se tornou o primeiro da rede Fhemig a receber uma aplicação de polilaminina, substância experimental estudada como possível aliada na recuperação neurológica após traumas na medula espinhal ou nos nervos da coluna vertebral.
O procedimento foi realizado nessa terça-feira (23/6), no Complexo Hospitalar de Barbacena, na região Central de Minas. A aplicação ocorreu após articulação entre profissionais da unidade e pesquisadores ligados ao Projeto Polilaminina, desenvolvido pelo Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
A substância ainda está em fase de pesquisa clínica e integra um protocolo experimental autorizado pela Anvisa para uso compassivo, voltado a pacientes com condições graves e sem alternativas terapêuticas equivalentes disponíveis.
Paciente sofreu acidente de moto
O paciente é Geovani Campos Canton, de 28 anos. Ele sofreu uma grave lesão medular após um acidente de moto na sexta-feira (19).
Geovani deu entrada no Complexo Hospitalar de Barbacena e passou por cirurgia no domingo (21). Após avaliação dos critérios de elegibilidade, a equipe providenciou a documentação necessária para que a aplicação da polilaminina ocorresse o mais rapidamente possível.
Segundo o ortopedista e cirurgião de coluna Renato Guimarães, do Complexo Hospitalar de Barbacena, o procedimento representa um marco para a unidade.
“Conseguimos propor a um paciente internado em um hospital 100% SUS a participação no protocolo de uso compassivo da polilaminina. É uma proteína que está sendo estudada pela capacidade de estimular a regeneração nervosa e ampliar as possibilidades de recuperação neurológica e de qualidade de vida”, afirmou.
O que é polilaminina?
A polilaminina é uma versão otimizada da laminina, proteína naturalmente presente no organismo e importante para o desenvolvimento das células nervosas.
Os pesquisadores estudam se a substância pode ajudar a reduzir a inflamação na área lesionada e favorecer a reconexão de estruturas nervosas.
A ideia é que ela funcione como uma espécie de “andaime molecular”, orientando o crescimento dos axônios, estruturas que atuam na transmissão de sinais do sistema nervoso.
Procedimento não garante reversão da lesão
Apesar da expectativa, especialistas envolvidos no projeto reforçam que a aplicação ainda está em fase de avaliação científica.
O neurocirurgião Bruno Cortes, do Hospital Municipal Souza Aguiar, no Rio de Janeiro, e integrante do projeto, afirmou que não há garantia de reversão da lesão.
“O objetivo é favorecer a regeneração neuronal e criar condições para uma recuperação funcional maior do que a observada naturalmente. Não existe garantia de reversão da lesão, mas buscamos ampliar as perspectivas de ganho neurológico e qualidade de vida”, disse.
Tratamento continua com fisioterapia
Após a aplicação da polilaminina, o tratamento do paciente segue com acompanhamento e reabilitação.
Segundo os especialistas, a substância pode criar condições biológicas favoráveis para a regeneração, mas a fisioterapia é indispensável para estimular conexões nervosas e o reaprendizado funcional.
Fhemig fala em marco para o hospital
Para a diretora assistencial do Complexo Hospitalar de Barbacena, Vivian Miranda, a aplicação consolida o compromisso da unidade com assistência de alta complexidade e inovação.
“A aplicação de polilaminina consolida o compromisso do hospital com a assistência de alta complexidade, a inovação e a busca contínua pela excelência e segurança do paciente. Esse resultado só foi possível graças ao empenho de uma equipe multiprofissional altamente qualificada e comprometida”, afirmou.
Mãe do paciente agradece atendimento
Vera Canton, mãe de Geovani, destacou a rapidez do atendimento e o acolhimento recebido durante a internação.
“Foi tudo muito rápido. Desde que ele chegou ao hospital foi muito bem atendido. Os profissionais explicaram a gravidade da lesão e todos os procedimentos que seriam realizados. Estou confiante, tenho fé e sou muito grata a toda a equipe pelo cuidado com meu filho”, relatou.
Geovani também demonstrou esperança nos próximos passos do tratamento.
“Se Deus quiser, vai dar tudo certo. Tenho grande expectativa”, afirmou.
Transporte teve apoio dos Bombeiros
O deslocamento dos profissionais responsáveis pela aplicação contou com apoio aéreo do Batalhão de Operações Aéreas do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais.
A ação também teve parceria da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais.
