O governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), atribuiu a situação fiscal do estado ao cenário econômico nacional e criticou o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Nesta sexta-feira (23/10), após a primeira reunião temática com a equipe de transição do governador eleito Cleitinho Azevedo (Republicanos), Simões comentou a previsão de déficit de R$ 10,5 bilhões no orçamento mineiro de 2027 e afirmou que o Brasil atravessa um momento de “depressão” econômica.
O governador disse que o baixo crescimento da arrecadação não é um problema exclusivo de Minas Gerais e deve afetar outros estados.
“Todos os estados brasileiros estão tendo, pela primeira vez em dez anos, crescimento da arrecadação apenas em linha com a inflação, sem crescimento real, porque a economia nacional está em um momento de depressão”, afirmou.
Simões associou o cenário à condução da política econômica federal e defendeu uma mudança de governo.
“Não é por nenhum outro motivo que eu estou dizendo que a gente tem que ficar livre do governo federal que nos administra hoje, porque, sem isso, a gente não tem condição de sair do outro lado”, declarou.
Déficit previsto para 2027
A previsão de déficit no orçamento de Minas para 2027 passou de R$ 8,8 bilhões para R$ 10,5 bilhões. Apesar disso, Simões afirmou que a existência de um resultado negativo na proposta orçamentária não significa necessariamente que o estado encerrará o exercício com as contas no vermelho.
“Há 15 anos Minas Gerais tem déficit orçamentário previsto todos os anos. Há seis anos nós continuamos tendo déficit previsto e não tivemos déficit efetivo”, disse.
O governador informou que os detalhes da situação financeira serão apresentados em uma reunião específica da transição, com representantes das secretarias de Planejamento e Fazenda.
Primeira reunião com equipe de Cleitinho
As declarações ocorreram após o encontro entre integrantes da atual administração e da equipe de transição coordenada pelo vice-governador eleito Luís Eduardo Falcão.
A reunião desta sexta-feira foi dedicada à saúde e contou com a apresentação de dados sobre hospitais, atendimento à população, contratos e projetos em andamento.
Simões avaliou o encontro como positivo e afirmou que pretende manter uma transição técnica, sem interferências das divergências políticas surgidas durante a campanha.
“Não tivemos um único momento de tensionamento em absolutamente nenhum dos temas. Acho que foi uma boa abertura”, declarou.
O governador também afirmou que participará das duas primeiras reuniões temáticas, mas pretende se afastar dos encontros seguintes para permitir maior autonomia às equipes.
Segundo Simões, a ausência em parte das reuniões busca evitar constrangimentos e preservar o caráter administrativo da transição.