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Após polêmica na Câmara, novo bairro em Nova Lima segue para licenciamento cercado de questionamentos

Por

Júlio Vieira

Júlio Vieira
  • 23/06/2026
  • 18:39

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(Foto: Câmara Municipal de Nova Lima).

(Foto: Câmara Municipal de Nova Lima).

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O projeto Nova Vila, que prevê a transformação de antigas áreas de mineração no Centro de Nova Lima em um novo bairro entra agora na fase de licenciamento ambiental e urbanístico.

A etapa será decisiva para responder questionamentos sobre impactos no trânsito, infraestrutura urbana, meio ambiente e contrapartidas para comunidades vizinhas. 

A proposta, aprovada em meio à polêmica na Câmara Municipal e sancionada pela prefeitura, prevê a construção de 400 unidades habitacionais, com potencial para receber mais de dois mil moradores, além de áreas comerciais, espaços de lazer e equipamentos culturais.

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A transformação das antigas minas Velha e Grande, áreas ligadas historicamente à atuação da mineradora AngloGold Ashanti, prevê a construção de uma nova avenida de aproximadamente dois quilômetros, ligando a região da rodoviária à Praça do Mineiro, com a promessa de criar um novo corredor viário dentro do município.

Para a Prefeitura de Nova Lima, a empresa responsável pela área e a maioria dos vereadores, o projeto representa uma oportunidade de recuperar um espaço que perdeu sua função original após o fim das atividades minerárias e criar uma nova centralidade para a cidade.

Mas, para moradores e representantes da oposição, a dimensão da proposta levanta dúvidas sobre a capacidade da infraestrutura atual de acompanhar o crescimento, principalmente em áreas como mobilidade, transporte público, segurança, serviços públicos e possíveis impactos imobiliários.

Após votação polêmica, vereadores prometem acompanhar fase de licenciamento

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Antes de chegar ao licenciamento ambiental, o projeto para criar um novo bairro na cidade passou por uma tramitação marcada por polêmicas dentro da Câmara de Nova Lima.

O texto foi aprovado por 12 votos favoráveis, uma abstenção e um voto contrário. 

Autor do único voto contra o projeto, o vereador Wesley de Jesus (Republicanos) afirma que uma intervenção urbana de tamanha dimensão avançou sem que estudos técnicos fossem apresentados junto ao projeto de lei.

“Recebemos um projeto de lei sem que fosse anexado a ele qualquer documento, estudo de viabilidade técnica, estudo de impacto. Nada disso foi anexado ao projeto de lei, não temos resposta”, afirmou.

Segundo o vereador, a preocupação não é apenas com o potencial econômico da proposta, mas com a preparação da cidade para receber um novo contingente de moradores e atividades.

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“Um empreendimento desse porte pode gerar investimentos e movimentação econômica significativa para a cidade, mas também pode produzir impactos grandes sobre a estrutura urbana. A minha grande preocupação é se a cidade estará preparada para absorver o aumento da demanda por mobilidade, transporte público, segurança e outros serviços públicos”, disse.

A votação também gerou questionamentos por causa da dispensa da análise das comissões antes da votação em plenário.

O pedido foi apresentado pelo líder do governo na Câmara, vereador Silvânio Reis (PSD), que afirma que a medida apenas acelerou os prazos regimentais e que o projeto já vinha sendo discutido anteriormente.

“Como líder de governo, eu fui responsável por apresentar o pedido de dispensa, mas essa não foi uma decisão isolada. Havia um entendimento construído entre a ampla maioria dos vereadores de que o projeto já tinha sido suficientemente discutido e estava apto para a deliberação”, afirmou.

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Segundo Silvânio, a dispensa foi aprovada por ampla maioria e não retirou etapas obrigatórias da tramitação.

O presidente da Câmara, Thiago Almeida (PSD), defendeu a condução do processo na casa, já que a dispensa e a aprovação ocorreram dentro do previsto no regimento interno.

“Todo o processo de tramitação seguiu aquilo que está previsto no regimento interno da Câmara. A aprovação pela Câmara encerra uma etapa legislativa, mas não encerra o acompanhamento. Vamos continuar acompanhando o processo de licenciamento, garantindo transparência e que os critérios técnicos e ambientais sejam cumpridos”, assegurou.

Moradores cobram contrapartidas e empresa defende novo uso para área desativada

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Entre os moradores do entorno, a preocupação é que o crescimento da região aconteça sem investimentos proporcionais para as comunidades já existentes.

Representante comunitário e morador do bairro Boa Vista, que fica ao lado das minas que podem receber o novo bairro, Alan Junio Silva afirma que a transformação da área precisa vir acompanhada de ações diretas para quem vive próximo ao local.

“O nosso bairro será diretamente afetado. Eu considero que o projeto Nova Vila também deveria incluir investimento direto nas comunidades afetadas para mitigar os efeitos que irão nos impactar.”

Segundo ele, o avanço imobiliário pode aumentar a pressão sobre regiões centrais que já enfrentam dificuldades de infraestrutura.

“É uma oportunidade de uma reparação histórica à comunidade, transformar uma antiga área industrial em um projeto de uso futuro que dê retorno satisfatório aos novalimenses, comerciantes e ao meio ambiente, desde que isso esteja explícito. A previsão de aumento dos prédios residenciais no local, de alto padrão, precisa ser acompanhada. Aqui no meu bairro, daqui a alguns anos, pode não ter infraestrutura suficiente para acompanhar a demanda”, afirmou.

A AngloGold Ashanti afirma que o projeto foi construído a partir de um processo de diálogo iniciado em 2021, com audiências públicas, reuniões e visitas técnicas que envolveram mais de 1.500 pessoas.

O diretor-geral do Instituto AngloGold Ashanti, Fernando Cláudio, afirma que a proposta busca transformar uma área ligada à mineração em um espaço integrado à cidade.

“O nosso objetivo é transformar uma área historicamente ligada à mineração em um espaço totalmente integrado à cidade, gerando novos usos culturais, econômicos, ambientais e urbanos”, afirmou.

Segundo ele, mudanças foram feitas após as discussões com a população, como redução da altura das edificações, ampliação das áreas verdes e ajustes na preservação do patrimônio histórico.

Novo bairro prevê cinco torres, nova avenida e mais de 2 mil futuros moradores; impacto no trânsito ainda será calculado

Apesar de ter as diretrizes gerais definidas, o tamanho final do Nova Vila ainda depende das análises técnicas que serão feitas durante o licenciamento ambiental e urbanístico.

O projeto prevê a transformação de uma área com mais de 260 mil metros quadrados das antigas minas Velha e Grande em uma nova região de uso misto, reunindo moradia, comércio, serviços, espaços culturais e áreas de convivência.

Na parte residencial, a proposta considera 400 unidades habitacionais, com potencial para receber mais de duas mil pessoas. O plano divulgado prevê 44 casas e cinco torres de apartamentos, mas a quantidade final de moradores, o detalhamento das edificações e os parâmetros construtivos ainda passam pela etapa de licenciamento.

Um dos principais pontos de atenção é a mobilidade. O projeto prevê uma nova avenida de aproximadamente dois quilômetros, com pistas duplas e ciclovias, ligando a região da rodoviária à Praça do Mineiro. A nova via seria uma alternativa para reduzir o volume de veículos sobre as vias tradicionais do Centro de Nova Lima.

Mas o impacto real no trânsito ainda não foi totalmente dimensionado. Não há, até o momento, uma projeção pública consolidada sobre quantos veículos ou novos deslocamentos o bairro poderá gerar após a ocupação completa.

O projeto prevê uma área de preservação ambiental equivalente a cerca de 25% do território e a recuperação de estruturas históricas da antiga área minerária. O investimento estimado para a transformação da região é de aproximadamente R$ 300 milhões.

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