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Setembro Amarelo: Sinais de risco para as mulheres

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Grupo Mulheres do Brasil / Reprodução

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A campanha Setembro Amarelo, de combate e prevenção ao suicídio no Brasil, acontece desde 2016 durante todo o mês de setembro. Criada pela Associação Brasileira de Psiquiatria – ABP, em parceria com o Conselho Federal de Medicina – CFM, o tema tem sido amplamente debatido no país, que apresenta todos os anos mais de 12 mil casos de suicídios e, no mundo, mais de um milhão. Trata-se de uma perda a cada 45 minutos.

O suicídio pode ser compreendido como um fenômeno multicausal gerado por um severo estado de sofrimento psíquico. São diversos os fatores que podem levar alguém a considerar o suicídio como opção, seja de ordem emocional, social ou médica, como a depressão. Mas, em geral, a pessoa se enxerga em uma situação muito complicada, com muita dor e sofrimento, na qual ela não consegue achar uma solução, vendo no suicídio a última saída.

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O último levantamento do Ministério da Saúde sobre o tema, apontou elevação de 45,7% de mulheres vitimadas pelo suicídio, entre 2009 e 2018. Paralelamente, observou-se que entre a população masculina, o índice foi de 33%. Os suicídios em mulheres estão relacionados à violência de gênero, à depressão, privação social, perdas afetivas de cônjuges e filhos, abortamento, além das singularidades que permeiam as histórias de vidas, pois o suicídio é um fenômeno que varia de acordo com questões psicológicas, sociais, biológicas e culturais.

Pesquisa realizada pelo Ministério da Saúde no período de 2011 a 2015 mostrou que mulheres, principalmente mais jovens, que tinham notificação prévia de violência doméstica apresentavam 30 vezes maior risco de morrerem por suicídio. E que são as mulheres quem mais atentam quanto à própria vida com menor letalidade, não chegando à morte, mas adquirindo lesões graves e incapacitantes (67,55% das 338.569 notificações de tentativas suicídio no período de 2010 a 2018 ocorreram por mulheres).

No período de 2010 a 2019, ocorreram 23.929 suicídios femininos no Brasil, representando 6,56 suicídios por dia e uma taxa de mortalidade de 2,72 óbitos a cada 100 mil mulheres. O Sistema de Informação Sobre Mortalidade (SIM/DATASUS) ainda não disponibilizou os registros de óbito do ano de 2020. No entanto, acredita-se que haverá aumento nas taxas de mortalidade por suicídio em decorrência da pandemia da COVID-19 devido ao aumento do relato de sintomas como angústia, ansiedade e depressão e aumento do consumo abusivo de álcool e drogasRealidade que pode estar associada ao aumento da violência estrutural, crise econômica e isolamento social.

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O fato é que o suicídio tem se consolidado como um problema de saúde pública no Brasil. Assim, são necessárias medidas de proteção socioeconômica principalmente às mulheres de maior vulnerabilidade social, assim como ações de educação em saúde com a ajuda da mídia e redes sociais para disponibilizar os canais existentes para o acesso à atenção psicossocial. Não podemos – e não devemos – ignorá-lo, pois perder um ente querido por suicídio é doloroso e evitável, fiquemos atentos aos sinais.

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