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Praça Sete: será a Times Square de BH?

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Praça Sete e Times Square (Breno Pataro/PBH e pixabay)

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A Comissão de Legislação e Justiça da Câmara de Vereadores de BH aceitou a redação final da proposta de criação de áreas especiais de veiculação de mídia publicitária na cidade, autorizando a instalação de painéis de LED de até 40 metros de altura na Praça Sete. O texto segue agora para análise do prefeito, que tem o prazo de 15 dias úteis para sancionar ou vetar a matéria.

De autoria do vereador Wanderley Porto (PRD), o projeto, sustentado pelo Plano Diretor da cidade, busca o “uso inovador de monumentos e sítios arquitetônicos”, permitindo a instalação de engenhos publicitários na Praça Sete. De acordo com o texto, o propósito é ampliar o uso do espaço no período noturno e aumentar a sensação de segurança dos que por lá passam.

Essa é a informação. Mas, por trás dela, está a discussão, a diversidade de pontos de vista.

A primeira preocupação de todos é com relação à poluição visual. Há quem acredite que a colocação desses painéis descaracterizaria prédios que são marcos da cidade e fazem parte da nossa história e arquitetura. Na praça, temos a edificação que abriga o UAI, o edifício do P7 Criativo (antiga sede do Bemge), o Cine Theatro Brasil e outras construções que refletem diferentes estilos e compõem a identidade da capital.

Tudo isso exige uma visão cautelosa para que a colocação dos painéis de LED não contribua para a deterioração do centro.

Aos pontos negativos, contrapõem-se outros que refletem um pensamento inverso. Para alguns, um centro da cidade bem iluminado contribui para aumentar a segurança daqueles que passam por lá no dia a dia.

Por exemplo, o ex-vereador Gabriel Azevedo, um entusiasta das discussões urbanísticas da cidade, afirma que “pessoas e comércio ativo oferecem naturalmente vida e proteção, devolvendo o senso de segurança para os cidadãos”.

Para finalizar, ponderando sobre os lados da discussão e sempre tendo em mente que uma cidade deve ser preservada, mas também estar atenta às mudanças, sem que essas levem à sua descaracterização, creio que os painéis serão bem-vindos na perspectiva de transformação da cidade para melhor.

A Praça Sete é conhecida em Belo Horizonte como centro da “muamba”, o centro da trapaça. Se perguntar a alguém onde se pode conseguir um atestado médico falsificado, a resposta será: na Praça Sete. Onde se pode encontrar um diploma falsificado? Claro, dirão: na Praça Sete.

Para o bem e para o mal, ela é referência na cidade.

Transformá-la para melhor é obrigação do poder público, e fica a expectativa pela sanção do prefeito ao projeto.

A colocação dos painéis de LED pode ser o primeiro passo para que, depois, se discutam outras questões, como a presença de moradores de rua, principalmente ali na praça, e a ação cada vez mais frequente de criminosos que roubam bolsas e celulares. Tem de tudo na Praça Sete.

Que nela haja espaço também para a vida.

A Praça Sete é um pouco da vida de uma Belo Horizonte que pulsa, de uma gente que quer viver, e, para isso, ela deve ser cada dia melhor para seus habitantes.

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Paulo Leite

Sociólogo e jornalista. Colunista dos programas Central 98 e 98 Talks. Apresentador do programa Café com Leite.

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