A Organização Mundial da Saúde (OMS) estimou que a pandemia de Covid-19 provocou cerca de 22,1 milhões de mortes entre 2020 e 2023, número três vezes maior que o total oficialmente registrado no período. Os dados fazem parte do Relatório Mundial de Estatísticas da Saúde 2026, divulgado nesta quarta-feira (13).
Segundo a entidade, além das mortes diretamente causadas pelo coronavírus, o levantamento considera também os impactos indiretos da pandemia, como a sobrecarga dos sistemas de saúde, interrupção de tratamentos e dificuldades de acesso a atendimentos médicos.
A estimativa supera com folga os cerca de 7 milhões de óbitos oficialmente contabilizados pela Covid-19 no mundo no mesmo intervalo.
OMS aponta colapso dos sistemas de saúde como fator agravante
De acordo com o relatório, a pandemia afetou o funcionamento de hospitais e serviços essenciais em diversos países, dificultando o atendimento de pacientes com doenças crônicas e outras condições graves.
Entre os principais impactos indiretos apontados pela OMS estão atrasos em cirurgias, interrupção de tratamentos para câncer, diabetes e hipertensão, além da redução no acesso a medicamentos e vacinas.
O documento também destaca que países de baixa renda podem ter registrado subnotificação de mortes, o que indica que o número real de vítimas pode ser ainda maior.
Ano de 2021 teve pico de mortes durante pandemia
Segundo a OMS, o ápice da mortalidade ocorreu em 2021, quando foram registradas 10,4 milhões de mortes excedentes em todo o mundo, impulsionadas principalmente pela circulação da variante delta.
Já em 2023, esse excesso caiu para 3,3 milhões de mortes, em um cenário de desaceleração da pandemia após vacinação em massa e redução dos casos graves.
Para calcular o chamado “excesso de mortalidade”, os pesquisadores compararam o número esperado de mortes em anos normais com o total registrado durante a pandemia.
Homens e idosos foram os mais afetados
O relatório mostra que homens representaram 57% das mortes globais associadas à pandemia. Em 2021, a mortalidade masculina chegou a ser 50% maior que a feminina.
A faixa etária acima de 65 anos concentrou 65% das mortes. Entre idosos com mais de 85 anos, o risco de morrer foi dez vezes maior que o registrado entre adultos de 55 a 59 anos.
Geograficamente, o Sudeste Asiático concentrou a maior parcela das mortes globais, enquanto as Américas tiveram o maior impacto na redução da expectativa de vida.
Pandemia apagou quase uma década de avanço na expectativa de vida
A OMS afirmou que a pandemia provocou um dos maiores retrocessos já registrados nos indicadores globais de saúde.
A expectativa de vida mundial caiu de 73 anos, em 2019, para 71 anos em 2021, retornando aos níveis registrados uma década antes.
Apesar de parte da recuperação observada em 2023, a organização afirma que os índices ainda não voltaram totalmente aos níveis pré-pandemia, principalmente entre os homens.
A entidade defende o fortalecimento dos sistemas públicos de saúde, ampliação da cobertura universal e investimentos em monitoramento epidemiológico para evitar novos impactos em crises futuras.