Após 23 anos, o ex-atacante Guilherme está de volta ao Atlético. Hoje treinador, aos 52 anos, ele assumirá o cargo de coordenador técnico no clube em que teve o melhor desempenho da carreira como jogador.
De acordo com o anúncio publicado pelo clube no início da noite da última sexta-feira (15), Guilherme Alves será responsável por promover a integração entre jogadores, comissão técnica e diretoria.
Embora a contratação de Guilherme tenha gerado rejeição por parte da torcida atleticana, os números do ex-atacante pelo clube o colocam como o oitavo maior artilheiro da história do Atlético, com 139 gols. Ele foi superado neste ano por Hulk, que alcançou 140 gols com a camisa alvinegra.
Guilherme retorna ao Atlético em uma realidade muito diferente daquela que encontrou quando chegou ao clube, há quase 27 anos. Em meados de 1999, o momento do Galo era outro.
Procura-se reforços para o campeão mineiro
No início de julho, mais precisamente no dia 4, o Atlético conquistou o Campeonato Mineiro ao derrotar o América por 1 a 0, no Mineirão. Passada a euforia pelo título estadual, que não vinha desde 1995, o time ainda precisava de jogadores de qualidade em algumas posições.
Nomes como Marques, Belletti, Gallo e Caçapa não seriam suficientes para sustentar a equipe por muito tempo. A diretoria atleticana, formada por nomes como Nélio Brant e Bebeto de Freitas, precisaria ir ao mercado, mesmo com recursos financeiros limitados e problemas estruturais.
Para o gol, o Atlético contratou o experiente Velloso na semana da estreia no Campeonato Brasileiro. A chegada do goleiro tornou-se necessária após a goleada sofrida para o São Paulo por 5 a 1, na abertura da competição. No entanto, o campeão mineiro ainda precisava de um goleador para formar dupla com Marques.
Quem será o parceiro de Marques?
Marques vivia grande fase no Atlético. O “Calango” era o principal nome do setor ofensivo da equipe. Além de criar jogadas, também balançava as redes com frequência. O camisa 9 foi o artilheiro do time no Campeonato Mineiro, com sete gols.
Faltava um parceiro à altura de Valdir, que havia deixado o clube para defender o Botafogo. Sem o “Bigode”, Marques teve como companheiros de ataque Adriano Chuva, Wellington Amorim e Edmilson “Cenoura”, que já integravam o elenco, sem ter sucesso.
A diretoria precisou buscar reforços no mercado. Chegaram ao clube os atacantes Curê, ex-Portuguesa Santista, Nilson, ex-Internacional e Palmeiras, e Nélio, ex-Flamengo. Desses, apenas Curê demonstrou algum entrosamento com Marques, ainda que sem o mesmo brilho.
Guilherme. Será que ele é o parceiro ideal para Marques?
Na mesma semana em que confirmou a contratação de Velloso, a diretoria atleticana acertou o empréstimo de Guilherme, então vinculado ao Vasco da Gama.
Guilherme iniciou a temporada como principal artilheiro do Vasco no Torneio Rio-São Paulo, com cinco gols. No entanto, o clube carioca tinha outros planos para o ataque.
O Vasco repatriou Edmundo, que estava na Fiorentina, e, com a queda de rendimento de Guilherme, que passou a ser reserva, contratou Viola em julho de 1999. Além deles, o elenco ainda contava com Donizete Pantera. Era o momento ideal para buscar novos ares.
Poucos dias após a chegada de Viola ao Vasco, o Atlético anunciou Guilherme como seu novo centroavante. Diante da carência por um homem-gol, sua estreia aconteceu rapidamente.
Guilherme entrou no segundo tempo da vitória por 2 a 0 sobre o Gama, no Independência. Mesmo com o triunfo, nenhum atacante marcou: os dois gols foram anotados por Belletti, meio-campista.
A primeira partida como titular foi diante do Sport, pela terceira rodada do Campeonato Brasileiro, e Guilherme não desperdiçou a oportunidade. Ele marcou o gol atleticano no empate por 1 a 1, na Ilha do Retiro.
Ao final daquele Brasileirão, Guilherme acumulou impressionantes 28 gols em 27 jogos, média superior a um gol por partida. Na fase de mata-mata, foram 12 gols em oito confrontos. O Atlético havia encontrado seu grande goleador. E o restante é história.
