O Instituto Afrojurídico do Brasil (IAJB) foi lançado em Belo Horizonte, no último dia 13 de maio com a proposta de fortalecer a presença de profissionais negros em espaços acadêmicos, institucionais e de produção intelectual no país.
A entidade foi criada por advogados, professores, pesquisadores, médicos, psicólogos e profissionais de diferentes áreas do conhecimento. Segundo os organizadores, o objetivo é combater a invisibilização histórica da intelectualidade negra e ampliar o protagonismo de pessoas pretas em ambientes de poder e formação acadêmica.
O instituto foi oficialmente fundado com 27 membros fundadores e terá atuação voltada à promoção de debates, eventos científicos, produção acadêmica e fortalecimento profissional.
Diretoria foi definida durante lançamento
O advogado Gilberto Silva assumiu a presidência do Instituto Afrojurídico do Brasil.
A vice-presidência ficará com a advogada Luciene Sudário. Já a Secretaria-Geral será ocupada por Joyce Coelho, enquanto William Ferreira será o tesoureiro da entidade.
Além da diretoria executiva, o instituto também contará com conselho consultivo, conselho fiscal, diretorias específicas e comissões temáticas.
Segundo os organizadores, a proposta é criar uma rede de fortalecimento acadêmico, jurídico e institucional voltada à valorização da produção intelectual negra.
Grupo quer ampliar atuação além do debate racial
Em manifesto divulgado nas redes sociais, o instituto afirma que pessoas negras não devem ser limitadas apenas às discussões sobre racismo e desigualdade racial.
“O instituto nasce com a missão de demonstrar à sociedade aquilo que o racismo estrutural e institucional historicamente tentou invisibilizar: pessoas pretas possuem capacidade intelectual plena para ocupar qualquer espaço, discutir qualquer temática e liderar qualquer área do conhecimento”, afirma trecho do texto.
A proposta é desenvolver palestras, congressos, cursos, seminários e produções acadêmicas em áreas como direito, saúde, tecnologia, educação, agronegócio, governança corporativa e meio ambiente.
Instituto também terá atuação acadêmica e social
Além da realização de eventos, o IAJB pretende investir na produção de livros, revistas, artigos científicos, podcasts e entrevistas voltadas à valorização da produção intelectual negra.
A entidade também informou que pretende desenvolver ações educativas e de conscientização sobre direitos, cidadania e fortalecimento social.
Segundo o presidente Gilberto Silva, a iniciativa não foi criada com foco em assistência jurídica gratuita em massa, mas sim no fortalecimento institucional, acadêmico e profissional da população negra.
“A verdadeira abolição ainda precisa ser construída”
O manifesto do instituto também faz críticas à forma como o 13 de maio é tratado historicamente no Brasil.
Para os organizadores, a abolição da escravidão ocorreu sem reparação, inclusão social ou acesso efetivo da população negra à educação e aos espaços de poder.
“Mais do que recordar uma falsa liberdade, queremos construir a verdadeira abolição: aquela baseada no reconhecimento, na dignidade, na valorização intelectual, na presença institucional e no acesso real aos espaços de poder e transformação social”, afirma o texto divulgado pela entidade.