Os Centros Africanos de Controle e Prevenção de Doenças confirmaram nesta sexta-feira (15) um novo surto de Ebola na província de Ituri, na República Democrática do Congo. Segundo a agência, já foram registradas 65 mortes em 246 casos suspeitos da doença.
Os casos foram identificados principalmente nas zonas de saúde de Mongwalu e Rwampara. Também houve registros suspeitos na cidade de Bunia, capital da província.
De acordo com o órgão africano, quatro mortes ocorreram entre pacientes com confirmação laboratorial para Ebola.
Autoridades investigam possível nova variante
Segundo os Centros Africanos de Controle e Prevenção de Doenças, as análises iniciais indicam que o vírus identificado pode não pertencer à cepa Zaire, historicamente associada à maioria dos surtos registrados no Congo.
O sequenciamento genético ainda está em andamento para confirmar a variante.
O virologista Jean-Jacques Muyembe, um dos cientistas que participaram da descoberta do Ebola, afirmou à agência Reuters que, dos 16 surtos anteriores registrados no Congo, apenas um não foi causado pela cepa Zaire.
Especialistas alertam que a identificação de uma nova variante pode dificultar a resposta sanitária, já que vacinas e tratamentos atuais foram desenvolvidos principalmente para a cepa tradicional.
OMS e países vizinhos reforçam resposta
As autoridades africanas anunciaram uma reunião de emergência com representantes da República Democrática do Congo, Uganda, Sudão do Sul e parceiros internacionais para ampliar ações de vigilância e controle nas fronteiras.
“Considerando o elevado fluxo populacional entre as áreas afetadas e os países vizinhos, a rápida coordenação regional é essencial”, afirmou o diretor-geral do órgão, Jean Kaseya.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou que tomou conhecimento dos primeiros casos suspeitos em 5 de maio e enviou equipes à região para auxiliar nas investigações.
Segundo a OMS, um laboratório em Kinshasa confirmou 13 casos positivos da doença na quinta-feira (14).
A organização também liberou US$ 500 mil do fundo de contingência para emergências para apoiar ações de rastreamento de contatos, exames laboratoriais, vigilância e atendimento clínico.
Violência agrava crise humanitária na região
O novo surto acontece em meio ao agravamento da crise de segurança em Ituri, onde confrontos entre grupos armados têm provocado mortes e deslocamentos de civis.
A organização Médicos Sem Fronteiras alertou recentemente para a superlotação e precariedade das unidades de saúde da região, além das condições sanitárias críticas em áreas de deslocamento populacional.
Segundo especialistas, o cenário aumenta o risco de disseminação da doença.
O Ebola é uma doença grave e frequentemente fatal, transmitida por contato direto com fluidos corporais de pessoas infectadas ou materiais contaminados.