O advogado Eugênio Aragão deixou, nesta terça-feira (19), a defesa do ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, em meio às negociações para um possível acordo de delação premiada no âmbito das investigações do caso Banco Master.
Paulo Henrique Costa está preso desde 16 de abril por suspeita de envolvimento em fraudes relacionadas ao Banco Master e ao banqueiro Daniel Vorcaro.
Em nota divulgada à imprensa, Aragão afirmou que, ao longo de quase 30 anos de atuação no Ministério Público Federal (MPF), sempre participou apenas de iniciativas “pautadas pela absoluta seriedade, confiança profissional e responsabilidade”.
“Eventual colaboração premiada apenas seria considerada diante da existência de provas consistentes e inequívocas, sempre com respeito à legalidade, às instituições e à reputação das pessoas envolvidas”, afirmou.
Divergências sobre delação
Segundo informações divulgadas sobre o caso, Aragão teria divergido da condução das tratativas envolvendo a colaboração premiada e decidiu deixar a defesa para que o advogado Davi Tangerino conduzisse os próximos passos da estratégia jurídica.
O ex-subprocurador-geral da República integrava a equipe de defesa de Paulo Henrique Costa desde o avanço das investigações envolvendo o BRB e o Banco Master.
Prisão e investigações
No último dia 8, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a transferência de Paulo Henrique Costa para o 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como “Papudinha”.
A decisão foi interpretada por investigadores como um possível indicativo de avanço nas negociações para um acordo de delação premiada.
Segundo o Ministério Público, Paulo Henrique Costa teria atuado como “peça essencial” na tentativa de compra do Banco Master pelo BRB e em operações envolvendo aquisição de carteiras financeiras oferecidas pela instituição controlada por Daniel Vorcaro.
As investigações também apontam que o ex-presidente do BRB teria ocultado seis imóveis recebidos como propina, quatro em São Paulo e dois em Brasília, avaliados em cerca de R$ 146,5 milhões. De acordo com os investigadores, aproximadamente R$ 74,6 milhões já teriam sido efetivamente pagos.