O pré-candidato ao Senado do Partido Novo por Minas Gerais, Marco Antônio Costa, participou do programa Café do Leite, da Rede 98, e disse que a atual conjuntura do Judiciário brasileiro transformou a mais alta Corte do país em uma estrutura criminosa. Ao ser questionado sobre as funções da Câmara Alta e o atual papel do STF, o postulante afirmou que o foro por prerrogativa de função — conhecido popularmente como foro privilegiado — criou um elo nocivo de “codependência” e chantagem que anula o papel fiscalizador dos senadores. Para ele, as bases legais para prisões preventivas de magistrados já existem, mas faltam nomes corajosos para dar o respaldo político necessário dentro do parlamento.
O pré-candidato defendeu uma reformulação profunda no sistema de freios e contrapesos entre os poderes da República, com propostas que limitam a influência da própria cúpula do Senado. Costa declarou que pretende alterar a lei de abuso de autoridade e modificar o regimento interno do Senado Federal para instituir um quórum automático de abertura de processos de impeachment contra ministros do STF. O objetivo da medida, segundo o advogado, é retirar esse poder de decisão monocrática das mãos da presidência da Casa, evitando que as pautas fiquem travadas por articulações de lideranças políticas.
“A instituição e a Suprema Corte são relevantes, mas o foro privilegiado fez o Supremo virar uma máquina de crimes, virar uma quadrilha, e os caras estão lá na boca da quadrilha. Aí o político mais salafrário do centrão decide fortalecer esse vínculo. O que temos hoje é um Senado anulado, porque tem gente ali que ou é chantageada pelo Supremo criminoso ou faz parte do esquema”, disparou Marco Antônio Costa.
Posicionamento ideológico e recado ao diretório do Novo
Ao analisar o tabuleiro eleitoral de Minas Gerais, o representante do Novo, portanto, buscou se diferenciar dos demais concorrentes que disputam o voto da direita e do centro no estado. Costa classificou nomes tradicionais da política mineira, como Marcelo Aro e o deputado federal Domingos Sávio (PL), como parlamentares com forte inclinação e histórico ao “centrão” e à social-democracia. Ele apontou que a sua campanha se apoia em pautas de enfrentamento ao Judiciário que nenhum outro candidato tem coragem de verbalizar publicamente.
“O único candidato de direita no campo de pensamento e de ação de direita hoje aqui no estado sou eu. Os demais têm uma pegada de centrão. O Marcelo Aro, eu acho que ele é centrão: postura de centrão, discurso de centrão, discurso para emenda. Daí você tem o Domingos Sávio, que tem aquela essência mais de social-democrata, mais de tucano. É o histórico dos outros candidatos”, afirmou Marco Antônio Costa.
O pré-candidato, por outro lado, enviou um recado direto à liderança de sua própria legenda partidária a respeito das costuras e alianças de bastidores. Costa cobrou sobriedade e bom senso do diretório estadual do Partido Novo para a oficialização de sua candidatura na convenção partidária prevista para julho. De acordo com o advogado, a sigla possui forte interlocução com alas do Partido Liberal (PL), mencionando a proximidade com o deputado federal Nikolas Ferreira. Por fim, Marco Antônio ainda alertou que abrir mão da candidatura própria em prol de acordos externos pode prejudicar o futuro do Novo no estado: “Vai ficar preso em um acordo que vai enterrá-lo aqui em Minas Gerais”, disse.
