O cantor e compositor Pedro Ortaça, último representante vivo do grupo Tronco Missioneiro, morreu na madrugada desta sexta-feira (29/5), aos 83 anos, no Hospital de Clínicas de Ijuí, no Noroeste do Rio Grande do Sul. Natural de São Luiz Gonzaga, na região das Missões, o artista estava internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) após uma cirurgia realizada na quinta-feira (28/5) e sofreu três paradas cardiorrespiratórias, segundo familiares. Ortaça foi um dos principais nomes da música nativista do Estado.
A filha do cantor, Marianita Ortaça, confirmou a morte nas redes sociais e prestou homenagem ao pai, a quem chamou de exemplo de resiliência, coragem e força. Além de Marianita, Ortaça deixa a esposa, Rose, os filhos Gabriel e Alberto, e netos.
O músico enfrentava problemas de saúde havia meses. Nos últimos anos, lidou com edema pulmonar, pneumonia, problemas vasculares e diabetes, quadro que o levou a ter as duas pernas amputadas — a mais recente em fevereiro de 2026. Desde março de 2025, residia com a família em Ijuí para fazer tratamento de diálise, e em 2021 havia passado por uma cirurgia de ponte de safena.
Internado após o procedimento cirúrgico de quinta-feira, Ortaça foi transferido para a UTI e teve três paradas cardiorrespiratórias durante a madrugada, vindo a falecer.
Quem foi Pedro Ortaça?
Pedro Marques Ortaça nasceu em São Luiz Gonzaga, em 29 de junho de 1942. Cantor, compositor e violonista, dedicou a carreira a difundir a cultura das Missões por todo o país e a manter viva a tradição da música regional gaúcha. Era reconhecido como um dos grandes intérpretes do nativismo do Rio Grande do Sul.
Ortaça integrava o grupo histórico conhecido como Tronco Missioneiro, ao lado dos compositores Noel Guarany (1941–1998), Cenair Maicá (1947–1989) e Jayme Caetano Braun (1924–1999). Juntos, os quatro forjaram uma nova identidade para a música regional gaúcha, marcada pela crítica social e pela valorização da história e da cultura do Estado. Com a morte de Ortaça, encerra-se a trajetória do último representante vivo desse quarteto.
O artista é autor de canções que marcaram gerações, como “Timbre de Galo” e “Bailanta do Tibúrcio”. Sua última música lançada foi “Pena Guarany”, gravada em parceria com o filho Gabriel Ortaça, uma homenagem aos 400 anos das Missões, celebrados em 2026.
Para além dos palcos, Ortaça construiu uma atuação como defensor dos povos indígenas. Por meio de suas canções e shows, destinava parte da renda das apresentações a aldeias e reivindicava melhorias para essas comunidades.
O reconhecimento ao seu trabalho também veio do meio acadêmico. Em 2025, recebeu o título de Doutor Honoris Causa da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e da Universidade Federal do Pampa (Unipampa), em homenagem à sua contribuição para a cultura regional.
