Você já se perguntou se o Pilates realmente ajuda quem sofre com dor nas costas — ou se virou só mais uma moda fitness? A resposta curta é: sim, o Pilates pode ajudar, especialmente nos casos de dor lombar crônica, que respondem pela maioria das dores na coluna. É o que explica o ortopedista Daniel Oliveira, especialista em coluna vertebral e sócio do NOT, em entrevista à Rede 98. Com uma ressalva importante: o método é complemento do tratamento, não substituto dele.
A popularidade tem explicação prática. “O Pilates ganhou grande popularidade porque combina fortalecimento muscular, mobilidade, controle motor, equilíbrio e consciência corporal em uma única atividade”, afirma Daniel Oliveira. No caso da coluna, o foco é fortalecer a musculatura profunda do tronco — o core —, que estabiliza a coluna nos movimentos do dia a dia. Para ele, o diferencial não é ser superior a outros exercícios, mas reunir vários componentes da reabilitação num só método, o que facilita a adesão dos pacientes.
Os melhores resultados aparecem na dor lombar crônica
“Os melhores resultados são observados principalmente em pacientes com dor lombar crônica inespecífica, que representa a maioria dos casos de dor nas costas”, diz o ortopedista. Além de aliviar a dor, o método ajuda a recuperar função física, mobilidade e estabilidade da coluna — devolvendo confiança para tarefas simples, como se abaixar ou carregar peso.
Hérnia, escoliose e dor crônica: segurança depende de adaptação e supervisão
Na maioria dos casos, a resposta é positiva. “Pacientes com hérnia de disco, escoliose ou dor lombar crônica frequentemente podem se beneficiar do Pilates, desde que o programa seja adaptado à condição clínica de cada pessoa”, afirma. O ponto decisivo é a avaliação anterior ao primeiro exercício, que identifica limitações e fatores de risco. “Quando os exercícios são individualizados e supervisionados por profissionais capacitados, o Pilates costuma ser uma opção segura e eficaz”, resume.
As situações que pedem cautela antes de começar
Apesar de seguro, o Pilates não serve para qualquer momento. “Crises agudas de dor intensa, fraturas recentes, infecções, tumores, instabilidades importantes da coluna e algumas doenças neurológicas precisam de avaliação especializada antes do início dos exercícios”, alerta Daniel Oliveira. A atenção é maior nas crises de hérnia com dor intensa ou perda de força, quando a prioridade é a avaliação médica. E vale para todos: exercícios sem orientação podem agravar os sintomas em vez de ajudar.
“O Pilates não substitui o tratamento médico quando ele é necessário. Ele deve ser visto como uma ferramenta complementar dentro de uma abordagem mais ampla”, afirma o especialista — abordagem que pode reunir orientação médica, fisioterapia, mudança de hábitos, controle de peso e, em alguns casos, cirurgia. Ainda assim, o papel do método é relevante: “Pode ser um dos pilares mais importantes para manter a coluna saudável e reduzir o risco de novas crises ao longo da vida”, conclui Daniel Oliveira.
