O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, assinaram nesta quarta-feira (17/6) um acordo para encerrar a guerra no Oriente Médio iniciada em fevereiro deste ano. A informação foi confirmada pelos governos dos dois países após a formalização de um memorando de entendimento que prevê o fim das hostilidades e a abertura de negociações para um acordo definitivo.
Segundo autoridades americanas e iranianas, o documento já havia sido assinado eletronicamente por Teerã e foi ratificado pessoalmente por Trump durante um jantar com o presidente francês Emmanuel Macron, após a cúpula do G7, realizada na França.
O acordo encerra um conflito que começou em 28 de fevereiro, após ataques realizados por Estados Unidos e Israel contra o Irã, e que posteriormente se espalhou pela região, envolvendo grupos aliados de Teerã e provocando milhares de mortes, principalmente no Irã e no Líbano.
Acordo prevê negociações por 60 dias
O memorando estabelece um período de 60 dias para que Washington e Teerã negociem um acordo permanente.
Durante esse prazo, os Estados Unidos suspenderão sanções ligadas à venda de petróleo iraniano e ao bloqueio de portos do país. Caso as negociações avancem e um acordo definitivo seja firmado, todas as sanções americanas contra o Irã poderão ser retiradas.
O principal ponto em discussão será o programa nuclear iraniano. Pelo texto, o Irã concordou em negociar mecanismos para reduzir seu estoque de urânio enriquecido por meio de um processo de diluição supervisionado pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).
“O texto do memorando de entendimento foi finalizado com as assinaturas dos presidentes. Agora é hora de testar a implementação deste acordo”, afirmou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghai.
Reabertura de Ormuz é uma das prioridades
O acordo também trata da situação do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas para o transporte global de petróleo.
Pelo memorando, o Irã deverá restabelecer, em até 30 dias, a circulação de embarcações comerciais na região. O texto prevê que Teerã garanta a passagem segura dos navios sem cobrança de taxas durante um período inicial de 60 dias.
Apesar disso, autoridades iranianas indicaram que a operação do estreito não voltará exatamente ao modelo existente antes da guerra.
“O Irã tem direitos soberanos sobre Ormuz e, é claro, cobraremos uma taxa por esses serviços”, declarou o negociador-chefe iraniano, Mohammad Bagher Qalibaf, à televisão estatal.
A normalização da navegação é considerada estratégica para reduzir impactos sobre o comércio internacional e sobre os preços globais da energia.
Hezbollah comemora acordo
O entendimento também inclui a chamada Frente Libanesa, ligada ao conflito entre Israel e o Hezbollah. O secretário-geral do grupo xiita libanês, Naim Qasem, classificou o acordo como uma “grande vitória” para o Irã e agradeceu pela inclusão das demandas relacionadas ao Líbano nas negociações.
Qasem também defendeu que o acordo seja utilizado para pressionar pela retirada de Israel do território libanês.
Já o presidente do Líbano, Joseph Aoun, afirmou que as negociações conduzidas pelo país com Israel seguem independentes do entendimento firmado entre Estados Unidos e Irã.
Reconstrução do Irã poderá receber fundo de US$ 300 bilhões
O memorando prevê ainda a criação de um fundo internacional estimado em US$ 300 bilhões para financiar projetos de reconstrução e desenvolvimento econômico no Irã após o conflito.
Segundo o texto, os Estados Unidos se comprometem a atuar junto a parceiros regionais para viabilizar os recursos, embora Washington não tenha assumido participação financeira direta na iniciativa.
O fundo dependerá da conclusão de um acordo definitivo ao final do período de negociações previsto no memorando.