A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quinta-feira (18/6), a segunda fase da Operação Rejeito/Contrassabotagem, que investiga um suposto esquema de monitoramento ilegal, obtenção de informações sigilosas e tentativas de interferência em investigações conduzidas por órgãos públicos. A ação ocorreu em Belo Horizonte e Ibirité, na Região Metropolitana da capital.
Foram cumpridos dois mandados de prisão preventiva e seis mandados de busca e apreensão. A Justiça Federal também determinou a suspensão das atividades das empresas envolvidas nas apurações.
Segundo a Polícia Federal, esta nova etapa é um desdobramento da Operação Rejeito, iniciada para investigar uma organização criminosa suspeita de atuar na obstrução de investigações e processos judiciais relacionados às operações Rejeito e Poeira Vermelha. Na fase anterior, os investigadores identificaram indícios de monitoramento de alvos e ações voltadas a dificultar o trabalho das autoridades.
Agora, as apurações apontam que o grupo teria contratado uma empresa especializada para realizar atividades de espionagem contra pessoas consideradas estratégicas para seus interesses. Entre os alvos monitorados estariam autoridades públicas e cidadãos particulares.
De acordo com a PF, foram identificadas práticas como vigilância presencial, uso de equipamentos de rastreamento, registros fotográficos e coleta irregular de dados pessoais e sensíveis. Os investigadores também apuram o acesso indevido a informações protegidas por sigilo.
Um dos episódios sob investigação envolve um juiz federal responsável por um processo relacionado a uma empresa ligada ao grupo. Conforme a Polícia Federal, dados pessoais do magistrado teriam sido obtidos ilegalmente. A partir dessas informações, integrantes da organização teriam tentado se aproximar de um familiar do juiz que atua na advocacia, em uma possível tentativa de influência indevida.
As investigações também revelaram indícios de aproximações com agentes públicos para objetivos considerados ilícitos, além da suposta tentativa de contratação de falsas operações policiais, conhecidas como blitz simuladas.
Outro ponto apurado é a existência de ofertas estruturadas para a obtenção ilegal de dados bancários e telefônicos de terceiros. Segundo a PF, havia inclusive tabelas de preços para o acesso a informações protegidas por sigilo. Há ainda suspeitas de invasão ou acesso indevido a sistemas restritos de órgãos de segurança pública.
Os investigados poderão responder por crimes como embaraço à investigação de organização criminosa e violação de sigilos bancário e telefônico. Somadas, as penas previstas para esses delitos podem ultrapassar 16 anos de prisão.
O nome “Contrassabotagem” faz referência às ações destinadas a identificar e neutralizar atividades capazes de comprometer o funcionamento de instituições públicas e interferir na atuação do Estado.
