O apoio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a um candidato na disputa pelo Palácio do Planalto teria pouco efeito sobre a decisão de voto da maioria dos brasileiros. Pesquisa Datafolha divulgada neste sábado (20/6) mostra que 65% dos eleitores afirmam que um eventual endosso do republicano não mudaria sua escolha nas urnas.
Entre os entrevistados, 17% disseram que ficariam mais propensos a votar em um candidato apoiado por Trump. Outros 15% afirmaram que o apoio teria efeito contrário e reduziria a intenção de voto. Já 3% não souberam responder.
O levantamento ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais entre os dias 17 e 18 de junho, em 139 municípios. A margem de erro é de dois pontos percentuais.
Polarização amplia impacto do apoio de Trump
Apesar de a maioria afirmar que o apoio do presidente americano seria indiferente, o efeito aparece com mais intensidade entre eleitores que já demonstram alinhamento político.
Segundo o Datafolha, 42% dos entrevistados que dizem ter preferência pelo PL afirmam que o apoio de Trump aumentaria a chance de votar em um candidato. Entre os eleitores de Flávio Bolsonaro (PL), esse percentual é de 32%.
Já entre os eleitores de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), 23% afirmam que deixariam de votar em um candidato caso ele recebesse o apoio do presidente americano. Entre pessoas que se identificam como de esquerda ou centro-esquerda, o índice chega a 24%.
Declarações de Trump marcaram últimos dias
O levantamento foi realizado em meio à troca de críticas entre Trump e Lula.
Nesta semana, o presidente dos Estados Unidos voltou a demonstrar apoio à família Bolsonaro e criticou a situação política brasileira. Em uma das declarações, classificou o cenário do país como “perigoso” e voltou a defender integrantes do clã Bolsonaro.
Na sexta-feira (19), em entrevista ao site Axios, Trump afirmou que considera Lula “muito volátil” e disse que não se importa com o presidente brasileiro.
Lula respondeu durante a cúpula do G7, no Canadá. O petista criticou a postura do republicano, afirmou que os Estados Unidos não devem interferir nas eleições brasileiras e voltou a defender a soberania do país.