Polícia Federal deflagrou, nesta quarta-feira (24/6), em Governador Valadares, as operações Falsa Promessa e Rasga Mortalha, com foco no combate a organizações criminosas especializadas na promoção de migração ilegal de brasileiros para os Estados Unidos.
A ação resultou no cumprimento de nove mandados de busca e apreensão, dois mandados de prisão preventiva e medidas patrimoniais que incluem o sequestro de imóveis e o bloqueio judicial de bens e valores que somam cerca de R$ 20 milhões.
Sequestro, extorsão e atuação transnacional
As investigações da Operação Falsa Promessa apontaram um caso grave envolvendo o sequestro de um casal brasileiro na região de fronteira entre o México e os Estados Unidos. As vítimas teriam ficado em cárcere privado por mais de 30 dias e só foram liberadas após o pagamento de resgate.
Segundo a PF, o principal alvo da operação é considerado de alta periculosidade, com histórico de violência e uso de arma de fogo, incluindo ameaças, descumprimento de medida protetiva e episódios de violência doméstica.
Já a Operação Rasga Mortalha decorre do avanço das investigações iniciais e identificou ao menos dois novos núcleos criminosos. Um dos investigados é apontado como articulador de rotas de travessia ilegal na fronteira, com atuação direta na logística do contrabando de migrantes e registros de múltiplas viagens internacionais, além de possuir imóvel no México.
Estrutura criminosa e novas vítimas identificadas
Com o aprofundamento das apurações, a PF identificou 89 novas pessoas que teriam sido levadas ilegalmente aos Estados Unidos pelo esquema criminoso. O grupo operava de forma estruturada, com divisão de funções que incluía:
- Organização de rotas de travessia
- Intermediação de deslocamentos internacionais
- Suporte logístico no exterior
- Cobrança de valores de migrantes e familiares
Prisões, armas e bens apreendidos
Durante o cumprimento dos mandados, duas pessoas foram presas e foram apreendidas três armas de fogo, além de munições de diferentes calibres (incluindo .45, 9mm e .38), veículos, joias, relógios e aproximadamente R$ 60 mil em espécie.
As medidas judiciais também atingiram quatro investigados e têm como objetivo garantir a reparação de danos, o confisco de bens obtidos com atividades ilícitas e a eficácia de eventuais condenações.
Os investigados poderão responder pelos crimes de organização criminosa, promoção de migração ilegal e sequestro ou cárcere privado, além de outras infrações que possam ser identificadas ao longo das investigações.
