A aprovação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, caiu para 34%, registrando o pior índice de popularidade desde o início do seu segundo mandato. Os dados foram apontados por uma pesquisa Reuters/Ipsos divulgada nesta terça-feira (23/6). O resultado reflete o desgaste do governo republicano diante da guerra com o Irã e de avaliações negativas na economia interna.
O levantamento mostra uma oscilação negativa de dois pontos percentuais em comparação com a semana anterior, quando o presidente registrava 36% de apoio. A variação atual recoloca o líder norte-americano no patamar que havia sido registrado em abril. Como a margem de erro da pesquisa é de três pontos percentuais para mais ou para menos, os números indicam estabilidade na linha de baixa.
A marca atual se aproxima do recorde histórico negativo de Trump em toda a sua trajetória na Casa Branca, que foi de 33% em dezembro de 2017, durante o primeiro ano de seu primeiro mandato presidencial.
Rejeição à guerra no Oriente Médio
O estudo, que colheu dados ao longo de cinco dias e foi finalizado nessa segunda-feira (22), detalha que apenas 24% dos norte-americanos avaliam que o conflito armado contra os iranianos compensou os custos gerados. Em contrapartida, metade dos entrevistados respondeu que a guerra não valeu a pena, enquanto os demais não opinaram ou demonstraram dúvidas.
O impacto militar do conflito também divide a opinião pública nos EUA de forma desfavorável ao governo:
- 35% dos entrevistados afirmam que os Estados Unidos saíram enfraquecidos do embate;
- 23% acreditam que o país ficou mais forte após as operações militares;
- O restante da população avaliou que não houve alteração significativa ou preferiu não declarar posicionamento.
Acordo de paz e custo de vida
A condução de assuntos econômicos é outro fator de pressão contra o governo republicano. Apenas 22% dos cidadãos aprovam as medidas de Trump para conter o custo de vida, índice inferior ao registrado no encerramento da gestão de seu antecessor, Joe Biden.
No cenário internacional, Trump assinou um acordo preliminar com o regime de Teerã na última quarta-feira (17/6), estabelecendo a reabertura do Estreito de Hormuz e o fim das hostilidades na região. Apesar do recuo nos preços do petróleo no mercado internacional após a assinatura, a maior parte dos norte-americanos aponta que o valor dos combustíveis nas bombas segue acima do patamar registrado antes de 28 de fevereiro, data em que começaram os ataques contra o Irã.
A confiança da população na eficácia do tratado de paz a longo prazo também é reduzida, já que 63% dos entrevistados acreditam que o entendimento diplomático atual não será suficiente para assegurar uma estabilidade duradoura entre as duas nações.
Impacto nas eleições de meio de mandato
O atual momento político acende um alerta para o Partido Republicano visando as eleições legislativas de meio de mandato, programadas para o próximo mês de novembro. Trump iniciou o segundo mandato com 47% de aprovação, mas sofreu desgaste contínuo provocado pela inflação e por polêmicas envolvendo as diretrizes de deportação em massa de imigrantes irregulares.
Atrelando o cenário atual às urnas, a pesquisa apontou que somente 17% dos eleitores considerados independentes escolheriam candidatos republicanos se o pleito ocorresse nesta terça-feira, enquanto 34% declararam preferência por nomes do Partido Democrata.