A chegada do inverno tem sido acompanhada por um aumento na circulação de vírus respiratórios em diversas regiões do país. Dados do boletim InfoGripe, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), divulgados em 18 de junho, mostram avanço dos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), impulsionados principalmente pelo Vírus Sincicial Respiratório (VSR), pelas influenzas A e B e pelo rinovírus.
Nas últimas quatro semanas epidemiológicas, o VSR foi responsável por 51,4% dos casos positivos de SRAG, consolidando-se como o principal causador das internações por doenças respiratórias no Brasil. Em seguida aparecem o rinovírus, com 23,9% dos registros, e a Influenza A, com 19,1%. Entre os óbitos, a Influenza A lidera, respondendo por 43,7% das mortes associadas às doenças respiratórias graves.
Segundo o epidemiologista do Hermes Pardini, José Geraldo Leite Ribeiro, o cenário atual é marcado pela circulação simultânea de diferentes vírus.
“Não estamos diante de um único vírus, mas de uma combinação de influenza, VSR e rinovírus circulando simultaneamente. Por isso, a vacinação, a atenção aos sintomas de gravidade e os cuidados preventivos continuam sendo fundamentais, especialmente para crianças pequenas, idosos e pessoas com doenças crônicas”, afirma.
Minas Gerais está em alerta
Em Minas Gerais, a situação também inspira atenção. Conforme o InfoGripe, o estado está entre os 14 do país classificados em nível de alerta, risco ou alto risco para SRAG, com tendência de crescimento nas últimas seis semanas.
As hospitalizações provocadas pela Influenza A permanecem elevadas, embora apresentem sinais de desaceleração. Já os casos graves relacionados à Influenza B continuam em crescimento.
Belo Horizonte também aparece entre as 11 capitais brasileiras que registram aumento dos casos de SRAG nas últimas seis semanas. Na capital mineira, o crescimento recente se concentra principalmente entre pessoas de 15 a 49 anos, diferentemente de outras cidades, onde o aumento ocorre entre crianças pequenas.
Sintomas exigem atenção
Embora muitas infecções respiratórias apresentem sintomas semelhantes aos de um resfriado comum, sinais como febre persistente, dificuldade para respirar, cansaço intenso e piora progressiva do estado geral exigem avaliação médica.
“O principal erro continua sendo negligenciar a prevenção. A vacinação é a medida mais eficaz para reduzir o risco de formas graves da doença. Além disso, quando há febre alta, falta de ar ou agravamento dos sintomas, é importante procurar assistência médica”, alerta José Geraldo Leite Ribeiro.
Vacinação e medidas simples ajudam na prevenção
Além da vacinação, especialistas recomendam manter ambientes ventilados, higienizar frequentemente as mãos e utilizar máscara quando houver sintomas respiratórios para reduzir a transmissão dos vírus.
“O uso da máscara por pessoas gripadas ou resfriadas segue sendo uma medida importante para proteger familiares, colegas de trabalho e indivíduos mais vulneráveis”, destaca o epidemiologista.
Outro alerta é para o uso inadequado de antibióticos. Como a maior parte das infecções respiratórias é causada por vírus, esses medicamentos não alteram a evolução da doença e só devem ser utilizados sob orientação médica quando houver confirmação ou suspeita de infecção bacteriana associada.
A orientação é manter a vacinação em dia, reforçar a hidratação, evitar ambientes fechados e procurar atendimento médico diante de sintomas persistentes ou sinais de agravamento.