O rádio segue como uma das principais fontes de informação para os moradores da Região Metropolitana de Belo Horizonte e se destaca pela credibilidade em um cenário marcado pela disseminação de notícias falsas. É o que mostra uma pesquisa realizada pela Quaest para a Associação Mineira de Rádio e Televisão (Amirt) e a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), que revela que 87% da população da região escuta rádio e dedica, em média, quase quatro horas diárias ao meio.
Os dados foram apresentados pela diretora de Inteligência de mercado da Quaest, Natália Porto, em entrevista ao programa Expresso 98 News. Segundo ela, a confiança depositada no rádio é um dos principais diferenciais do veículo em relação às plataformas digitais.
“O rádio é um dos veículos mais tidos como confiáveis pelo público mineiro. Essa credibilidade é um atributo que pertence ao rádio. Independentemente da idade, da classe ou da ocupação dos entrevistados, permanece a ideia de que a informação transmitida pelo rádio é de qualidade e foi apurada”, afirmou.
Formação de opinião
De acordo com a pesquisa, além do alcance elevado, o rádio continua presente na rotina dos mineiros. O maior consumo ocorre entre 5h e 12h, período em que os ouvintes buscam informações sobre trânsito, serviços, notícias locais e acontecimentos nacionais, utilizando o veículo como ferramenta para organizar o dia.
Natália Porto destacou que a confiança no rádio ganha ainda mais importância diante do crescimento da desinformação nas redes sociais.
“Hoje o consumo de notícias é muito intermediado por diferentes plataformas, e as pessoas frequentemente se perguntam se determinada informação é verdadeira ou falsa. O rádio transmite essa segurança porque o público reconhece que ali existe apuração jornalística e compromisso com a informação”, disse.
A pesquisa também aponta que o rádio desempenha papel relevante na formação de opinião dos ouvintes.
“O rádio chega primeiro com a informação local e permite que as pessoas desenvolvam seu raciocínio e formem opinião a partir de um conteúdo que vai além do noticiário objetivo. Ele ajuda na compreensão dos fatos”, explicou.
Audiência fiel
Outro dado levantado pelo estudo derruba a percepção de que o rádio perdeu espaço entre os mais jovens. Conforme Natália Porto, a audiência é formada por diferentes gerações e demonstra um comportamento de fidelidade ao veículo.
“Existe uma lealdade ao rádio que é intergeracional. Mesmo entre os mais jovens, encontramos pessoas que escutam rádio desde a infância. Os meios digitais não acabaram com esse hábito; o rádio soube se adaptar e conviver com novas plataformas”, afirmou.
Adaptação e credibilidade
Esse processo de adaptação é definido pela pesquisa como “rádio 3.0”, conceito que descreve a evolução do meio para um modelo multiplataforma. Embora o aparelho tradicional continue presente, o consumo também ocorre por aplicativos, transmissões online e outras plataformas digitais, preservando a linguagem característica do rádio.
Além da credibilidade jornalística, o levantamento identificou que mais de 70% dos entrevistados enxergam o rádio como companhia durante o dia. Para a diretora da Quest, essa relação fortalece a confiança tanto nas notícias quanto nas mensagens publicitárias veiculadas pelas emissoras.
“O rádio reveste a informação de credibilidade. O público entende que aquilo que chega pelo rádio passou por um processo de validação, algo que nem sempre acontece nas redes sociais”, concluiu.
