Mais da metade das usinas brasileiras de ferro gusa pode interromper as atividades caso os Estados Unidos adotem novas tarifas de importação sobre o produto. As taxas em discussão podem chegar a 37,5% e devem ser decididas em julho. O alerta é do Sindicato da Indústria do Ferro em Minas Gerais.
O estado concentra cerca de 70% da produção nacional e lidera as exportações para o mercado norte-americano. Segundo o setor, a medida pode afetar diretamente a produção, os investimentos e os mais de 60 mil empregos gerados pela atividade em Minas.
Fausto Varela, presidente do Sindicato da Indústria do Ferro no Estado de Minas Gerais (SINDIFER-MG), explicou para a 98 News o motivo da implantação das tarifas.
“Bom, o que está acontecendo é sobre aquela investigação 301, que os Estados Unidos fazem a respeito de práticas comerciais e práticas de trabalho indevidas de alguns países, de países, e incluindo o Brasil, onde ele, dependendo da dos resultados das das investigações, eles atribuem tarifas aos produtos que são importados daquele país para os Estados Unidos”.
“Então, isso é mais uma forma que eles têm para poder diminuir, a entrada de produtos contaminados com esse tipo de coisa, que eles chamam, que com esse tipo de de de prática, para evitar que lá haja repercussão interna”.
Varela afirmou ainda que se as tarifas forem aplicadas vai tirar a competitividade do Brasil frente a outros países que também exportam.
“O impacto é muito grande, porque na verdade, nós temos os Estados Unidos como um grande canal, né, de importação de ferro Gusa. Para se ter uma ideia, no ano passado, 70% das nossas da nossa produção, em torno de 70% foi destinado à exportação e desse 70% foram destinados a aos Estados Unidos”.
“Então, com isso, a gente tem uma dependência muito grande e caso essa essas tarifas entram em seriam 25% mais os 12,5%, isso vai tirar muito tirar muito a nossa competitividade com outros países que também exportam. E até mesmo com outros produtos que podem substituir”.
Para economista Gustavo Andrade destacou o impacto que a paralisação pode ter em Minas Gerais.
“A importância do ferro Gusa na temática do Estado, assim, o primeiro dado que a gente tem que ter em mente é um número simples. Gusa é mais ou menos 0,8% do PIB eh de Minas Gerais. E é engraçado que esse talvez seja o segundo grande teste que a indústria vai passar desde 2015. Obviamente, por conta de vetores diferentes, agora mais focado com uma temática por conta do tarifácio e lá um pouco mais focado por conta da volatilidade específica da própria commodity e do câmbio, mas o resultado consequencial é o mesmo”.
“E isso gera uma ruptura tanto na parte de investimento, quanto na parte de emprego e por aí vai. E o que a gente tem que colocar aqui, que é interessante, assim, a gente não reutiliza um parque fabril, nesse tipo de de de indústria, transformando em alguma outra coisa. Isso gera um sucateamento, nesse parque fabril muito relevante ao longo do tempo e isso também tem impactos secundários, né, pra gente olhar tanto pro PIB e por aí vai”.
Representantes da indústria vão participar de uma audiência nos Estados Unidos para tentar evitar a aplicação das tarifas.
