O Sindicato da Indústria do Ferro no Estado de Minas Gerais (Sindifer-MG) alertou que a proposta dos Estados Unidos de elevar as tarifas de importação sobre o ferro-gusa brasileiro pode provocar a paralisação de cerca de 55% das usinas do país. As novas taxas podem alcançar 37,5% e serão debatidas em audiências públicas marcadas para 6 de julho, com decisão prevista para o dia 15.
Para tentar evitar a medida, representantes do sindicato participarão da audiência nos Estados Unidos. A entidade também contratou um escritório de advocacia norte-americano para defender o setor e buscar exceções para o ferro-gusa brasileiro.
Dependência do mercado americano preocupa o setor
Os Estados Unidos são o principal destino das exportações brasileiras de ferro-gusa. Entre janeiro e maio de 2026, o Brasil produziu cerca de 1,6 milhão de toneladas do insumo, sendo que 80% das exportações tiveram como destino o mercado norte-americano.
Em 2025, a produção nacional alcançou aproximadamente 5,4 milhões de toneladas, com Minas Gerais respondendo por quase 70% desse volume. Do total produzido no país, cerca de 75% foi exportado, e mais de 80% das vendas externas seguiram para os Estados Unidos, segundo dados do Sindifer-MG.
Minas concentra a maior parte da produção
Minas Gerais lidera a produção nacional de ferro-gusa, com 48 usinas, 63 fornos e capacidade instalada de aproximadamente 420 mil toneladas por mês. Somente Sete Lagoas reúne 21 unidades industriais, consolidando-se como o principal polo do segmento.
Além da relevância industrial, a cadeia produtiva emprega mais de 60 mil trabalhadores, entre empregos diretos e indiretos, no estado.
O presidente do Sindifer-MG, Fausto Varela, afirma que uma eventual elevação das tarifas pode comprometer toda a cadeia produtiva.
“Esse cenário afeta todo o país, principalmente Minas Gerais, e deverá comprometer empregos, investimentos e a geração de divisas”, afirmou.
Setor teme perda de competitividade
O ferro-gusa é a principal matéria-prima utilizada na fabricação de aço e ferro fundido e ocupa posição estratégica na indústria metalúrgica. Para o Sindifer-MG, a adoção das novas tarifas reduziria a competitividade do produto brasileiro no principal mercado comprador, com reflexos sobre a produção, os investimentos e a balança comercial.
Além da participação na audiência pública, a entidade informou que mantém negociações com compradores e autoridades norte-americanas para tentar reverter a proposta antes da decisão prevista para julho.
