O senador Cleitinho Azevedo elevou o tom contra o ministro Alexandre de Moraes e colocou a própria campanha ao Governo de Minas no centro da discussão. Na noite desta terça-feira, 1º de setembro, Cleitinho pediu no plenário do Senado que o presidente da Casa, Davi Alcolumbre, paute um processo de impeachment contra Moraes. E foi além: afirmou estar disposto a “abrir mão de fazer campanha” para permanecer em Brasília defendendo o afastamento do ministro.
A manifestação ocorreu após a divulgação de mensagens entre Moraes e Daniel Vorcaro obtidas pela Polícia Federal no celular do ex-banqueiro. Cleitinho leu mensagens no plenário, cobrou explicações do ministro e disse que o Senado precisa dar uma resposta ao país.
Politicamente, porém, a declaração produz uma consequência importante em Minas.
Cleitinho vinha construindo uma campanha fortemente municipalizada, procurando prefeitos e tentando manter distância das amarras tradicionais dos partidos. Agora, decide entrar de corpo inteiro em uma das disputas nacionais de maior potencial de polarização.
A estratégia pode reforçar sua identificação com o eleitorado conservador. Mas também oferece munição aos adversários.
A pergunta provavelmente aparecerá na campanha: Cleitinho pretende governar Minas ou transformar a eleição estadual numa extensão da guerra política de Brasília?
E há uma ironia eleitoral difícil de ignorar: o candidato que aparece na liderança da disputa pelo Governo de Minas acaba de dizer que está disposto a deixar de fazer campanha justamente para permanecer no Senado.
Pode ser um gesto político calculado. Pode mobilizar sua base. Mas, a partir de agora, Cleitinho terá também de explicar qual é sua prioridade: a cadeira que disputa em Minas ou a batalha que decidiu travar em Brasília?
