O medo da violência altera o cotidiano e limita as decisões da maioria das brasileiras. A constatação é da pesquisa realizada pelos institutos Patrícia Galvão e Locomotiva, com apoio da Uber. Segundo matéria publicada pela Agência Brasil nesta quarta-feira (16/9), 98% das entrevistadas adotam estratégias diárias para reduzir riscos nas ruas.
Além disso, o levantamento aponta que 78% das brasileiras já sofreram ao menos um tipo de agressão. A sensação de insegurança atinge 94% das mulheres, índice superior ao registrado entre os homens. Esse temor constante é alimentado por vivências diárias de violência física, verbal, psicológica ou sexual.
Para tentar se proteger, as entrevistadas incorporaram um estado de vigilância permanente. Entre as táticas mais comuns estão evitar locais específicos, não usar o celular na rua e avisar pessoas de confiança sobre trajetos. Muitas também evitam sair à noite e usam transporte por aplicativo para não andar a pé.
Impacto na vida pessoal, acadêmica e profissional
Esse cenário de apreensão força renúncias que prejudicam a autonomia feminina. Cerca de 62% das participantes alteraram hábitos de lazer e 58% deixaram de frequentar lugares que gostavam. O transporte público e locais noturnos surgem como os pontos de maior desproteção.
As restrições também afetam o desenvolvimento econômico e educacional das mulheres. A pesquisa revela que 45% já recusaram oportunidades de trabalho ou estudo por falta de segurança. Além disso, 44% das entrevistadas consideraram mudar de bairro ou cidade para se sentirem mais seguras.
“A insegurança deixou de ser uma percepção pontual e se transformou numa rotina de cálculos e renúncias silenciosas, em que quase todas as mulheres brasileiras precisam evitar lugares, mudar trajetos, abrir mão do lazer ou reconsiderar até uma oportunidade de trabalho por medo da violência”, disse a diretora executiva do Instituto Patrícia Galvão, Vera Vieira.
Avaliação governamental e impacto nas urnas
Apesar de apontarem governos e polícias como responsáveis pelo combate à criminalidade, a maioria das entrevistadas reprova as ações atuais do Estado. Os representantes do Poder Legislativo receberam a pior avaliação, seguidos pelas gestões estaduais, pelo Judiciário e pelo governo federal.
Esse descontentamento com o Poder Público vai refletir diretamente nas urnas. Para 78% das entrevistadas, as propostas dos candidatos para combater a violência influenciarão o voto nas próximas eleições. As participantes defenderam melhor iluminação urbana, mais canais de denúncia e políticas de prevenção.
