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Ex-delegado assassinado em SP era jurado de morte pelo PCC, aponta relatório do MP

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Apesar do histórico de ameaças, Ruy não chegou a pedir proteção

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O ex-delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo Ruy Ferraz Fontes, assassinado em Praia Grande, vinha sendo monitorado por criminosos havia pelo menos um mês. Ele também estava na mira do Primeiro Comando da Capital (PCC), segundo relatório do Ministério Público de 2024 que detalhava planos de atentados contra autoridades.

O documento, revelado neste domingo, 21, pelo programa Fantástico, da TV Globo, foi produzido no âmbito de uma investigação sobre integrantes do PCC que comandavam a chamada Sintonia Restrita – setor da facção responsável por organizar resgates e atentados contra agentes públicos.

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Segundo os investigadores, as ordens para os assassinatos partiam de dentro dos presídios e eram repassadas a Janeferson Aparecido Mariano Gomes, o Nefo. No celular dele, o Ministério Público encontrou as informações que deram origem ao relatório “Bate Bola”, de 2024, cujo item 16 citava diretamente a perseguição a Ruy Ferraz Fontes e ao promotor de Justiça Lincoln Gakiya.

As investigações mostraram ainda que o ex-delegado vinha sendo monitorado havia pelo menos um mês. O sistema de vigilância da prefeitura de Praia Grande registrou o carro branco que perseguiu Ruy no dia do assassinato circulando pela cidade desde 18 de agosto, sempre durante a semana, quando ele cumpria expediente na Secretaria de Administração. As câmeras flagraram o veículo repetindo os mesmos trajetos do ex-delegado, em aparente mapeamento de rotina para a emboscada.

Imagens também revelaram a dinâmica do crime. Antes de Ruy deixar o trabalho, os assassinos já preparavam a emboscada: uma SUV preta parou em frente ao prédio onde ele trabalhava, enquanto, a dois quilômetros dali, câmeras flagraram o carro branco – o mesmo usado no dia do assassinato – aguardando para acompanhar a fuga.

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Histórico de ameaças

Na reportagem, o promotor Lincoln Gakiya lembra que o ex-delegado já havia sido ameaçado e jurado de morte pelo PCC desde 2006, quando investigou a série de ataques da facção em São Paulo.

Em 2019, logo após assumir como delegado-geral, Ruy comandou a transferência de 22 líderes do PCC para presídios federais de segurança máxima. Na sequência, a polícia prendeu o grupo conhecido como “Bonde dos 14”. Em audiência sobre o caso, o próprio Ruy revelou que seu nome estava em uma lista de alvos dos criminosos.

“Policiais fizeram uma investigação e descobriram que havia no meio do PCC, uma ordem para matar algumas autoridades, e meu nome estaria entre elas. Era uma carta entre eles determinando essas mortes”, afirmou o ex-delegado em depoimento à Justiça em 2019.

Apesar do histórico, ele não chegou a pedir proteção. Segundo o governo de São Paulo, a legislação atual não prevê escolta para policiais aposentados, e Ruy também não usava carro blindado no momento do crime.

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