Após as mudanças nas regras da Carteira Nacional de Habilitação (CNH), em vigor desde dezembro de 2025, os números relacionados ao processo de habilitação em Minas estão chamando a atenção. Em janeiro deste ano, o estado registrou 52.900 pedidos da primeira CNH na nova modalidade, indicando um aumento de 142,6% em comparação com o mesmo mês do ano passado. Com a mudança no processo ganhando cada vez mais adesão, as autoescolas enfrentam uma realidade desafiadora.
Entre as alterações estão a redução das taxas de exames médicos e psicológicos, além da retirada da obrigatoriedade das aulas teóricas presenciais. Com isso, os contratos mudaram e os serviços oferecidos pelos CFCs também. Em BH, a autoescola mais antiga pode fechar as portas em breve. É o que acredita Reinaldo Pimenta, proprietário da Autoescola Santo Antônio, na região Centro-Sul. “A queda foi drástica”, afirma sobre a quantidade de novos alunos. A empresa tem mais de 60 anos de existência na capital mineira.
“Para uma autoescola se manter no mercado ela precisa de, no mínimo, 20 inscrições de alunos, no modelo antigo, por mês. Desde outubro, quando começaram a falar da nova regra, temos duas inscrições por mês. Não se sustenta. Temos cortado custos, dispensado funcionários e os carros estão parados. O caminho é fechar as portas”, declarou.
As novas regras da CNH também afetam as aulas práticas. Anteriormente, eram obrigatórias ao menos 20 horas-aula. Agora, são somente duas. “Não temos como fazer uma programação futura de como vamos pagar as despesas em geral. O pessoal está na ilusão que vai fazer o exame com duas aulas, mas isso é impossível de uma pessoa colocar um carro no trânsito”, acredita o empresário.
Falta de informações aumentam a frustração
Sem a necessidade de fazer as aulas em centros de formação de condutores registrados, os alunos podem procurar instrutores autônomos. Em Minas Gerais, porém, esses profissionais ainda não conseguem marcar os exames pelo sistema do Detran-MG, dificultando o processo tanto para os alunos quanto para as autoescolas.
Segundo Pimenta, esse é o maior desafio, que, inclusive, vem causando fechamento de empresas pelo estado. “Temos notícias de, praticamente, uma autoescola fechando por dia. Um dos maiores problemas é a falta de informação do Detran. Estamos todos perdidos sem informações e as autoescolas não aguentam mais se segurar e segurar o custo de 5 meses esperando o Detran atualizar o sistema e legalizar ou não os instrutores autônomos”, declarou Pimenta, que também informou que já dispensou quatro funcionários e terá, em breve, uma reunião para decidir se vai manter a autoescola aberta.
“Não temos como fechar um contrato sem saber o que vem pela frente. A autoescola não teve voz na decisão, mas nós sempre tivemos um custo alto. Tem manutenção do carro, tem o combustível, etc. Nós já trabalhávamos em um limite de custos. As taxas é que encareciam a carteira, porque o preço da autoescola sempre foi no limite”, concluiu.
A reportagem da Rede 98 procurou o Detran-MG para esclarecimentos, mas até o fechamento desta matéria não havia tido resposta. O espaço segue aberto para manifestação.