O anúncio de que o Irã proibiu as exportações de alimentos em meio à escalada do conflito no Oriente Médio pode impactar o mercado internacional de pistache e gerar reflexos no Brasil, com possível alta de preços e redução da oferta caso a medida se prolongue. A informação foi divulgada pela Folha de S. Paulo.
Especialistas apontam que o efeito sobre o comércio exterior dependerá diretamente da duração e da abrangência da restrição imposta por Teerã. Se a medida for temporária, o impacto tende a ser pontual e absorvido pelo mercado global. No entanto, se houver prolongamento da proibição ou agravamento de entraves logísticos na região, o cenário pode incluir encarecimento do pistache importado e maior competição entre compradores internacionais.
Os números mostram a relevância do Irã para o abastecimento brasileiro. Apenas nos primeiros meses de 2026, o Brasil importou 49 toneladas de pistache iraniano, volume superior às 35,5 toneladas adquiridas dos Estados Unidos no mesmo período, segundo dados do sistema Comex Stat, do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços.
Ao longo de 2025, as compras brasileiras de pistache do Irã somaram 422,6 toneladas, um salto de 71% em relação às 121,3 toneladas registradas no período anterior. Já as importações provenientes dos Estados Unidos atingiram 865 toneladas, representando queda de 15% frente ao ano anterior, quando o volume havia superado mil toneladas.
Dados da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) indicam que o Irã foi, em 2024, o segundo maior produtor mundial de pistache, com 316,1 mil toneladas, atrás apenas dos Estados Unidos, que produziram 498,9 mil toneladas no mesmo período.
Além do pistache, outros produtos agrícolas integram o fluxo comercial entre Brasil e Irã. Em 2025, o país importou cerca de 1.400 toneladas de uvas-passas iranianas. No mesmo ano, as compras de nozes, amendoins e outras sementes totalizaram 221,2 toneladas líquidas, enquanto as importações de tâmaras chegaram a 42,8 toneladas.
Caso a restrição iraniana às exportações seja mantida por período prolongado, o impacto pode extrapolar o pistache e atingir diferentes segmentos do mercado de alimentos no Brasil, especialmente aqueles mais dependentes da oferta do Oriente Médio.
